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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Culpa do cachorro-quente

Todo político em campanha eleitoral se esforça ao máximo para se aproximar do perfil de seu eleitorado. Orientados pelos assessores de marketing, eles tentam ir aonde o povo está; tentam fazer as coisas que o povo faz; tentam, nesses dias, se assemelhar ao povo, para que o povo os veja como legítimos representantes daquilo que o povo é, de como o povo pensa e age. Depois de eleitos, claro, os políticos podem voltar ao seu estado natural, configurado, na maioria dos casos, em uma postura bem distanciada da realidade do povo que os elegeu, como todos sabemos, fora as raras exceções de praxe.
Na Inglaterra, esta semana, virou meme na internet uma tentativa desastrada nesse sentido empreendida pelo atual primeiro-ministro britânico David Cameron, que está em campanha para as eleições de 7 de maio naquele país. Tentando passar uma imagem de que ele também é gente comum, compareceu a um evento público em que foi servido churrasco e cerveja, alimentos de pessoas normais como eu e você, sejamos nós brasileiros ou britânicos. Até aí, tudo bem. Porém, a maionese desandou na hora do cachorro-quente (não me perguntem o que tem a ver cachorro-quente com churrasco, mas trata-se dos hábitos britânicos e as notícias dizem exatamente isso), que Cameron se botou a comer com garfo e faca!
Mas quem é que, de sã consciência, come cachorro-quente com garfo e faca? Ora, todos sabemos que parte da graça, do sabor e do ritual de devorar um cachorro-quente suculento reside justamente no ato de comê-lo com as mãos, lambuzando os beiços com katchup e mostarda, salpicando a camisa com batata-palha e ervilhas, esparramando ilhas de milho e maionese nas calças, engordurando a ponta dos dedos e também a orelha que resolve coçar bem nessa hora, sujando os dentes com salsicha e limpando o molho vermelho com cebola da boca na manga da cam... ops, no guardanapo de papel, no guardanapo de papel!

Eu, que me conheço e não pretendo concorrer a primeiro-ministro da Inglaterra, costumo só comer cachorro-quente em casa, posicionado próximo do chuveiro, para onde preciso me dirigir sempre depois que devoro corretamente um cachorro-quente, haja vista o estado lamentável em que fico. É exatamente isso o que me impede de concorrer a qualquer cargo eletivo. Tá explicado!
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 9 de abril de 2015)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O cão ou a salsicha?

Existem mistérios filosóficos que jamais desvendaremos. Entre eles, aquele que instiga a pensar sobre a precedência de algumas coisas sobre as outras, como “quem veio primeiro: o ovo ou a galinha”? Isso, jamais elucidaremos. Mas há outros que, com um pouquinho de pesquisa e de raciocínio, é possível sanar. Por exemplo: todos achamos que a raça de cachorro dachshund é apelidada de “salsicha” por causa de seu formato semelhante ao do embutido comestível, mas é o contrário. Surpresa, não?
Pois é, e como foi que descobri isso? Ora, minha senhora, pesquisando. Para sua informação, saiba que hoje, 9 de setembro, comemora-se a invenção do cachorro-quente, ocorrida há 130 anos, em 1884, nos Estados Unidos. Sim, até o prosaico cachorro-quente, sucesso das festinhas infantis de sábado à tarde, teve de ser inventado pelo engenho humano, não nasceu pronto em árvores como o xis-bacon ou o salame.
Pois consta que foi um imigrante alemão que se estabeleceu nos Estados Unidos em 1880 e passou lá a vender com sucesso uma salsicha quente criada por um patrício seu na Alemanha, décadas antes. Esse alemão na Alemanha, o das salsichas, batizou seu embutido compridinho de “salsicha dachshund”, devido à semelhança do acepipe com o formato de seu cãozinho de estimação. Assim, as salsichas eram inicialmente conhecidas como “dachshund” e também como “salsichas cachorrinho”. Como eram vendidas quente, viraram hot-dogs. Então, foi o cão que batizou a salsicha, e não o contrário. Não existe o cachorro tipo salsicha, mas sim a salsicha tipo cachorro. Porque obviamente o cachorro veio antes, né!

Já o alemão migrado para os Estados Unidos vendia seu lanche inicialmente acompanhado por um par de luvas, para que os clientes protegessem as mãos do calor e da gordura. Só que a maioria não devolvia as luvas e ele começou a ter prejuízo. Daí que (bingo!) veio a ideia de envolver a salsicha em um pãozinho sovado, dando origem então ao maravilhoso invento culinário que exatamente hoje faz anos. Já pode imaginar o que vou sugerir para celebrar a data e a ingestão de tanta informação nova...
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 9 de setembro de 2014)