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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Feliz meio ano

Bem-vindo à metade do ano! Venha, sente-se, pegue um drinque, saboreie um canapé, circule entre as pessoas, socialize, sinta-se à vontade. E, principalmente, mais importante do que qualquer outra coisa, perceba o quão privilegiado é você em relação a todos aqueles que, da mesma forma, começaram este ano e, infelizmente, por alguma ou outra razão, não conseguiram chegar até aqui. Faça um brinde à vida, o primeiro de muitos ao longo desta singela celebração. Bem-vindo, de novo, à metade do ano!
Mais de 180 dias já se passaram desde que a gente ergueu brindes na passagem da última noite de 2014 para a entrada da primeira madrugada de 2015. Vimos os fogos de artifício, trocamos beijos e abraços com os entes queridos, expressamos aos outros nossos desejos de um ano bom e fizemos, em nossos íntimos, nossas próprias reflexões, elencamos metas, definimos objetivos, recauchutamos promessas que, talvez agora, seja o momento de reavaliar. Mais de 180 folhas já viramos nas agendas, mais de 180 quadradinhos já riscamos nos calendários oferecidos generosamente de brinde pelas agências bancárias que cuidam do nosso suado dinheirinho. E um novo lote de novos 180 dias e um punhado a mais nos espera. Vamos a eles. Um brinde também à segunda metade do ano, que agora se inicia!
Sejamos todos bem-vindos à segunda metade do ano! Vamos entrando, tomemos assento, escolhamos os lugares nos quais nos sintamos mais à vontade. Afinal, o perfil de nosso ano quem constrói somos nós mesmos, apesar da crise econômica, apesar das tragédias, apesar dos escândalos políticos, apesar da violência, das estradas esburacadas, da dificuldade intrínseca que é viver. Mas estamos vivos, aqui chegamos, e cabe a nós desincumbirmos com competência a tarefa que nos é dada, essa atitude tão significativa que é seguir vivendo. Alguns de nós também não cruzarão em 31 de dezembro a linha de chegada, sabemos disso, a saída de cena de alguns faz parte do roteiro, bem como a alegre chegada de outros, que darão início às suas caminhadas rumo ao acúmulo de várias metades de anos.

Mas por enquanto, apenas inspire fundo, tome um ar, relaxe, reorganize as forças e prepare-se para seguir em frente. Bem-vindo à segunda metade do ano. Temos vida ainda pela frente. Ao trabalho.
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 1 de julho de 2015)

sábado, 8 de novembro de 2014

O tempo passa

O susto se deu logo ao dobrar a esquina. Não poderia imaginar que uma surpresa dessas estaria atocaiada pelas tranquilas ruas do bairro, à espreita, durante uma curta caminhada no meio da tarde rumo ao mercadinho, a fim de dar uma pausa mental na trabalheira do dia e buscar um lanche. O ritual de espairecer observando o pulsar da vida cotidiano ao redor foi chacoalhado pela imagem que vi de súbito no quintal da casa de um vizinho: uma guirlanda natalina cravada na porta da frente! Nossa, que susto!
Então já é Natal! Quase Natal, na verdade. Foi-se o ano; foi-se o Carnaval; foram-se Páscoa, Dia das Mães, dos Pais, das Crianças, dos Avós. Foi-se a Copa do Mundo, foram-se as eleições, foi-se a Feira do Livro de Caxias. Foram-se os aniversários (ainda há alguns deles pela frente, bem lembrado), foram-se as dívidas velhas e vieram as novas, foram-se os salários e os ganhos, foram-se as folhinhas do calendário e da agenda, foram-se os dias e os dias, as horas, os minutos, foi-se o tempo voando e, num piscar de olhos, ao ressurgirem nas portas das casas as guirlandas de Natal, foi-se mais um ano.
Sim, que susto aquela guirlanda, mas especialmente o recado advindo dela. Nesses tempos de imediatismo e de tudo-para-ontem, os enfeites de Natal vão saindo das caixas cada vez mais cedo e alguns apressadinhos já estão ornamentando suas moradas nem bem terminado outubro. Eu, tradicional que sou em certas coisas, sigo partidário de que o espírito natalino só se aposse de mim em dezembro, apesar de já ter participado do sorteio do amigo secreto familiar, já ter retirado meu papelzinho e estar há semanas queimando pestanas para ver se descubro o que comprar para meu presenteado, já que, nesse caso, não posso contar com a crucial ajuda da esposa para a tarefa. Afinal, é segredo.

Já o que não é nenhum segredo é esse empilhar de anos que vão cruzando pela gente em velocidade sempre maior à medida em que amadurecemos (sim, evitei o “envelhecemos” de propósito). Afinal, o tempo sempre é um bom assunto. Tanto o tempo que passa quanto o tempo da meteorologia. Em comum entre eles, essa velocidade dos ventos...
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 8 de novembro de 2014)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

O meio do ano

Bem-vindo, leitor, à metade do ano! Exatamente hoje, 2 de julho, deixamos para trás 182 dias já transcorridos desde que recebemos com espumante e espocar de fogos a chegada de 2014 e temos, pela frente, até 31 de dezembro, mais 182 dias a serem percorridos. Sendo hoje o 183º dia do ano, estamos vivenciando o exato meio do ano. Se estiveres lendo este texto ao meio-dia, estará então, leitor, encravado no epicentro do meio do dia do meio do ano, sacas tu?
Pense assim: vivendo e acordando mais um lote de 182 dias iguais aos que já passaram desde 1º de janeiro, atracarás em 31 de dezembro, quando novas garrafas de espumante estarão a gelar no freezer e o céu límpido e claro de dezembro – lembram, disso, céu sem nuvens, sem cerração, com estrelas, aquelas coisas que acontecem em dezembro? – estará pronto para ser colorido pela surpresa radiante das cores dos fogos de artifício que saudarão a chegada de 2015. Ahhh... 2015... ano desprovido de Copa do Mundo, desobrigado de campanha eleitoral... somente 182 dias nos separam de ti, 2015, um ano trivial e singelo como tantos outros de nossas existências.
É claro que somos torcedores natos da Seleção Brasileira de futebol e um ano com Copa do Mundo, ainda mais sediada no Brasil, se transforma em efeméride a ser saboreada com dedicação por todos nós aqui nascidos. E, sim, somos cidadãos conscientes de um país que lutou para conquistar a democracia e temos orgulho em exercitar nosso direito e dever cívico participando ativamente das campanhas eleitorais e afluindo às urnas para elegermos nossos dignos representantes. Assim, um ano de eleição, como este 2014, reveste-se também de uma aura de suma importância que sabemos valorizar.
Mas, isso posto, não dá para negar que, encerrados nossos esforços de brasileiros torcedores e de cidadãos participantes da vida política (sim, porque nós, brasileiros, torcemos pela Seleção só quando ela entra em campo e, paralelamente a isso, julgamos que nosso dever cívico se resume ao ato de depositar o voto na urna a cada par de anos), vamos receber de braços abertos um aninho singelo, despretensioso e modesto como 2015, que se nos apresenta logo ali, ao dobrar da esquina, só 182 dias à frente.

E já que passa voando, é melhor ir tratando de gelar aquele espumantezinho brut rosé, para não ser pego de surpresa na hora “h” da virada, pois não? Sim, o prevenido morreu de velho, e, num piscar de olhos, já é depois de amanhã. Feliz meio do ano!
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 2 de julho de 2014)