Blog destinado à publicação de crônicas e textos assinados pelo jornalista e escritor Marcos Fernando Kirst em jornais e revistas, além de textos aleatórios quando for o caso.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Espinafre e salsaparrilha
domingo, 25 de março de 2012
Contra o lugar-comum
Está bem, eu sei que vou escrever um lugar-comum, mas também sou filho de Deus e tenho o direito de exercer minha pobreza de espírito igual a qualquer outro. Lá vai ela: nada melhor do que o tempo para conferir o devido valor às coisas, especialmente no que tange ao reino das artes. Pronto, feito! Não há como o leitor discordar da essência da frase de efeito, daí o seu valor inalienável. Isto posto, vamos ao que interessa.
Evoco essa coisa da sapiência que reside na passagem do tempo para defender a necessidade de se olhar com menos preconceito e menos ansiedade as manifestações artísticas que surgem ao nosso redor. Há muita criatividade e genialidade escondidas por trás (na verdade, raramente escondidas e sim, via de regra, escancaradas, porém invisíveis para a miopia dos críticos) das criações artísticas que nos rodeiam, porém, o mar raso pelo qual navegam as gentes impedem que soltem-se as amarras que insistem em prender obras e artistas na areia movediça do anonimato e da falta de reconhecimento.
Que o diga o cinema, por exemplo. Hoje consolidado como a sétima arte, não há quem duvide do valor dos filmes enquanto expressões artísticas, sem fazer aqui juízo de valor sobre a qualidade de uma ou outra obra. O cinema, em si, é arte, e disso hoje em dia ninguém duvida. Mas não foi sempre assim. Erico Verissimo, na primeira viagem que fez aos Estados Unidos, em 1941, teve a oportunidade de conversar com vários atores, atrizes e cineastas (entre eles, Orson Welles), que lhe garantiam o fato de o cinema estar finalmente começando a ser visto naquele país como uma forma de arte válida, e não apenas uma brincadeira juvenil passageira. Demorou, mas o cinema desfruta hoje de seu merecido lugar entre as formas sublimes de expressão artística desenvolvidas pelo gênio criativo da humanidade.
As artes gráficas de narrativas sequenciais, ainda conhecidas como histórias em quadrinhos, abrigam há décadas gênios criativos nas áreas da ilustração e do roteiro que amargam o preconceito e o desconhecimento do grande público. Mas o tempo lhes haverá de redimir, vencendo, mais uma vez, o senso comum.
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 23 de março de 2012)