terça-feira, 20 de março de 2012

O cultivo de um hábito crônico

Que o povo brasileiro em geral lê pouco, disso estamos calvos de saber. Mesmo assim, existe um aquecidíssimo mercado editorial que move boas cifras em nosso país, representado por incessantes lançamentos de novos títulos pelas editoras, que disputam espaço nas prateleiras das livrarias. É a essa pequena parcela de brasileiros que se dedicam à leitura que se destina grande parte dessas obras, porém, existem algumas peculiaridades que fazem o mercado editorial brasileiro ser digno de algumas análises. Por exemplo: o que lê, afinal, em geral, esse brasileiro leitor?

Para obter uma resposta definidora sobre a questão, a fim de darmos início ao esboço do perfil do brasileiro leitor, basta prestar atenção às listas de livros mais vendidos publicadas em vários órgãos da mídia impressa no país e também conversar com alguns livreiros. As listas de títulos mais procurados em feiras do livro também auxilia na conformação desse perfil que, curto e grosso, mostra o seguinte: o brasileiro que lê gosta de ler livros de auto-ajuda, livros com temáticas religiosas, biografias, obras de não-ficção (especialmente manuais sobre emagrecimento e outras atividades, dicas para todos os tipos de coisas, curiosidades etc) e coletâneas de crônicas.

Entre todos os gêneros citados, a crônica é o único que tradicionalmente costuma figurar entre as obras ditas literárias, à qual se unem o romance, o conto e a poesia. Assim sendo, o brasileiro, mesmo aquele que lê, segue consumindo pouca literatura, salvando-se com algum louvor o gênero crônica, especialmente aquelas edições que oferecem coletâneas de textos já publicados nos periódicos nos quais os autores colaboram, como revistas e jornais. Não é de se espantar, haja vista que a predileção dos brasileiros por esse gênero que, em sua origem, propõe ofertar ao leitor um híbrido entre o olhar jornalístico do cotidiano com algumas pitadas de literatura e poesia, já vem de muitas décadas. Não são poucos os estudiosos e literatos que ousam afirmar ser a crônica um gênero literário brasileiro por excelência, responsável pela formação de um verdadeiro panteão de nomes consagrados a partir do talento que dedicaram à consolidação desse tipo de obra.

Para citar apenas alguns nomes que engalanam o já citado panteão, podemos lembrar de autores como Machado de Assis, João do Rio, José de Alencar, Rubem Braga, Rachel de Queiroz, Sérgio Porto, Leon Eliachar, Fernando Sabino, Millôr Fernandes, Clarice Lispector, João Bergmann, Luis Fernando Verissimo, Moacyr Scliar, Carlos Heitor Cony, Martha Medeiros, David Coimbra, Cláudia Laitano, Fabrício Carpinejar, Jimmy Rodrigues e muitos outros. Todos valem a pena serem lidos, descobertos e redescobertos, tanto nas coletâneas lançadas em livros quanto acompanhando suas performances literárias nos jornais e revistas com os quais colaboram. Além do fruir de textos saborosos, a prática da leitura de crônicas pode servir de incentivo ao nascimento e cultivo do hábito de ler, essa atividade humana extraordinária que não pode de maneira alguma ser extinta, por se configurar como um dos mais divinos hábitos humanos.

(Texto publicado na seção "Planeta Livro" da revista Acontece Sul, edição de março de 2012)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Faça força

A importância das pequenas coisas. O poder transformador (ou destruidor) dos mais ínfimos detalhes. Não é isso o que estamos sempre dizendo uns aos outros, e não é a respeito disso que nos alertam os próceres da autoajuda e das regras do bem-viver? O detalhe... aquele mísero nada que, a bem da verdade, pode representar o tudo e mais um pouco dele todo.

O cedilha, por exemplo. Aquele discreto e quase imperceptível tracinho que enfiamos sorrateiramente embaixo da letra “c” a fim de não só indicarmos a correta pronúncia do fonema, mas para, também e principalmente, com isso, alterarmos substancialmente o significado de uma palavra e, ipso facto, todo o conceito de uma ideia e/ou de uma frase. Sou um idólatra do cedilha devido a esse poder que ele sustenta latente, mesmo mantendo toda a fleuma e discrição (olha o cedilha aí, pela primeira vez nesse texto) que sua aparentemente insignificância visual esconde. Experimente prescindir do cedilha em uma palavra que exija o cê-cedilha e veja o que acontece.

Quer um exemplo?

Ei-lo:

Experimente botar-se a lavar a louça e esquecer do cedilha ao twittar para todos os seus seguidores a atividade à qual você está dedicado naquele momento. Não haverá 140 caracteres capazes de banir da mente mal-intencionada da galera a certeza de que você, desprovido de cedilha, estava passando por maus bocados em um antigo hospício alienista machadiano metido a dar banho em uma das internas. Lave, portanto, sua louça, sempre com cedilhas, para evitar compreensões errôneas.

Cuide, também, de preencher o vazio de sua existência com a resolução de caça-palavras devidamente adornados com o crucial cedilha, caso contrário, seu nome ficará conhecido na praca... quer dizer... na praça como aquela figura pouco asseada que se dedica a um estranho passatempo intitulado caca-palavra, seguramente composto pela busca frenética por termos de baixo calão.

Tenha, portanto, ciência da força dos pequenos detalhes. Se cometeres a imprudência de esquecer do cedilha na frase anterior, releia-a e veja só no que pode dar... (Aliás, releia o título desta crônica sem o dito-cujo...)

(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 16 de março de 2012)

sexta-feira, 9 de março de 2012

Respingos da Festa

Apesar dos aguaceiros que obrigaram os organizadores e reprogramar os desfiles no centro da cidade, a Festa da Uva deste ano caracterizou-se por oferecer ao público uma ampla e democrática programação, permitindo que cada um particularizasse sua forma de apreciar o evento. Eu, por exemplo, já no primeiro dia, acessei os pavilhões empunhando um guarda-chuva recém-adquirido em um hipermercado da cidade, daqueles com botão automático, que desfrumbalizou-se (nem vá ao dicionário) por completo ao sucumbir a uma rajada de vento logo após a seção inicial Magia do Abraço. Era um indício do que estava por vir, em termos pluviométricos, naturalmente.
Nos pavilhões, após arremessar o ex-guarda-chuva para dentro da primeira lixeira que encontrei, decidi vivenciar a Festa de minha própria maneira, buscando aquilo que para mim, habitante desta cidade já há duas décadas, representasse o novo e o surpreendente. Foi assim eu me deliciei, na praça da alimentação, com um saboroso acarajé tipicamente baiano, seguido por tapioca, enquanto ao meu lado a turma se esbaldava em uvas, polentas fritas e brustoladas. E confesso que fiquei doido para dar uma voltinha em um daqueles trequinhos motorizados que a Brigada Militar utilizava para transporte individual de seus soldados nos Pavilhões e na Sinimbu durante os desfiles. Que coisa mais moderna!
No orquidário, realizei um sonho de infância ao levar para casa um exemplar de planta carnívora, que, de início, achei que fosse de mentirinha. Só passei a respeitar a planta depois de vê-la abocanhar (ou enfolhar) as dezenas de moscas, formigas e pequenas aranhas com as quais passei o final de semana presenteando-a. De madrugada, acordei escutando ruídos semelhantes a arrotos provenientes do quarto ao lado, onde ela repousava no potinho. Hoje o gato amanheceu sem um pedaço da orelha e estou desconfiado de que algo estranho ocorreu durante a noite, haja vista a bola de pelos que pende dos tentáculos da planta. Se aconteceu o que estou imaginando, terei de reclamar aos organizadores do evento...
Noves fora, acho que valeu, afinal, fazia tempo que não me empanturrava tanto de uvas dedos-de-dama como nesses dias de Festa. Xô, balança!
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 9 de março de 2012)

sexta-feira, 2 de março de 2012

O que nos traz a maré

Sou viciado em controle remoto, para desespero de minha esposa, que não consegue entender por que diabos pulo de canal justamente quando a Lilian Pacce está compartilhando aquela imprescindível dica de moda e eu záz! Sou, admito, insuportável. Meu pacote de tevê por assinatura oferece cerca de 40 canais e, via de regra, à noite, quando a família (eu, a esposa e o gato) se acomoda no sofá, ponho-me a administrar o controle remoto e tonteio todo mundo percorrendo para cima e para baixo a grade, ininterruptamente, sem me fixar em programa algum. Só o que se mexe é meu dedão na tecla do canal e os olhos de todos, piscando por reflexo a cada nova sintonizada. É exasperante (para eles, lógico).

Noite dessas, o imponderável aconteceu e estacionei em um canal bem no finalzinho da exibição do filme “Náufrago”, de Robert Zemeckis, lançado em 2000 e estrelado por Tom Hanks, uma ilha deserta e uma bola de vôlei chamada Wilson. Gosto desse filme. Assisti a ele no cinema em fevereiro de 2001 e escrevi aqui no Pioneiro, na época, uma crônica inspirada em um aspecto da trama que me chamou a atenção. Agora, revendo o final, escrevo outra, aproveitando que meu reflexo condicionado entre dedão e controle remoto me proporcionou uma pausa vital.

Todo o mundo assistiu ao filme “Náufrago” ou, no mínimo, nessa Era Google, sabe do que se trata: Tom Hanks sobrevive à queda de um avião em uma ilha deserta e, durante quatro anos de solidão e desespero em meio ao nada, consegue manter-se vivo a partir da reunião de forças que nem ele sabia possuir, a começar pela determinação e a esperança. Uma certa manhã, a maré traz à praia, inesperadamente, a vela de um barco naufragado, que lhe permite enfim vencer a rebentação com uma jangada manufaturada por ele mesmo, lançar-se ao alto-mar e finalmente ser resgatado. “Não dá para perder a esperança. É preciso sempre estar pronto para acordar para mais um dia, porque nunca se sabe qual a surpresa que a maré pode nos trazer amanhã”, é o que reflete, no final, o personagem.

Ótima lição, que vale para a vida de cada um. Até porque, poucas coisas seriam piores do que cair, de repente, em uma ilha deserta. E sem controle remoto!!!

(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 2 de março de 2012)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Os sabores da Festa

(Saboreando a gastronomia típica da Serra Gaúcha. FOTO: DANIELA XÚ/PIONEIRO)

Eu não sou descendente de italianos e nem nasci na colônia. Sou um guri da cidade, proveniente de terras quase missioneiras, tetraneto de imigrantes alemães. Uma rápida passada de olhos pelo formato de minhas mãos logo denuncia que jamais empunhei o cabo de uma enxada e a planta de meus pés se esfola ao contato com o mais simples pedregulho ou com a rosetinha mais mixuruca. Picada de mosquito cria ferida de guerra em minha pele e me escondo do sol como um vampiro recém-nascido.

Com todas essas características a atulhar a minha bagagem genética e cultural, eu tinha tudo para me sentir um peixe fora da pesqueira quando aportei por essas terras caxienses, 20 anos atrás, atraído, como tantos outros antes de mim ao longo de toda a história dessa região, por alvissareiras perspectivas de trabalho e de vida que por aqui se apresentavam (vai ver eu também sonhava com a “cocagna”). No entanto, finquei raízes e acabei me aquerenciando de tal maneira por aqui que, hoje, me sinto mais caxiense do que qualquer outra coisa, plenamente integrado aos costumes e ritos da Serra Gaúcha, atuante na comunidade que me acolhe e orgulhoso de fazer parte dela.

Entre diversas outras razões, tenho certeza de que o aspecto gastronômico característico de Caxias do Sul e de toda a região de colonização italiana exerceu papel crucial para o meu rápido e profundo processo de inserção no cotidiano dessa cidade, tão bem representado periodicamente pela ampla programação cultural decorrente das edições da Festa da Uva. Trocando em miúdos, fui capturado não só, mas também, pelo estômago. Basta ver que o Marcos de 26 anos e 61 quilos que veio para cá ficou duas décadas e 16 mil gramas distante deste ser que hoje perambula, faceiro e mais rechonchudo, pelos restaurantes e cantinas que oferecem o saboroso, tentador, farto e inesgotável cardápio típico italiano, que tanto aprendi a apreciar.

Foi por aqui que conheci e passei a saborear iguarias como o queijo à milanesa, o radicci cotti, a carne lessa (olhava aquilo com o canto do olho e a boca retorcida, e hoje puxo o prato todo para o meu lado), a sopa de agnolini (e tudo bem que chegue à mesa batizada de capeletti, sorvo do mesmo jeito, com barulho e tudo), o grostoli (uma tia de minha esposa, em Nova Bassano, inclui gotas de cachaça na receita, e evito me empanturrar de sobremesa antes de dirigir), o café com graspa, a fortaia (prima do similar alemão eierschmier, ou “schmier de ovos”, que meus parentes faziam em Ijuí e em São Borja, na minha infância), o piem e tantas outras delícias, e vou parando a lista porque já estou salivando.

Isso sem falar no vinho, claro. Foi vivendo aqui que meu paladar evoluiu dos primitivos “vinhos de formação” de minha adolescência como Katz Wein, Liebfraumilch e os primeiros cabernet franc, para a apreciação dos excelentes varietais e espumantes produzidos na região. Colaborou para tanto a participação em cursos de degustação promovidos pelas vinícolas, o que faz com que hoje o ato de saborear um bom “biccierotto de vin” se transforme em um rito de prazer e respeito pelo fruto do esforço de tanta gente, por tantas gerações.

A Festa da Uva que nós, caxienses, protagonizamos a cada dois anos, mais do que apresentar o resultado da pujança e das tradições de um povo, se configura em um momento em que celebramos também o simbolismo da prosperidade que se expressa em uma mesa farta, aspecto cultural cultivado por onde quer que se pare para fazer uma refeição por essas plagas. É ao redor de uma boa mesa que a alegria de viver e nossas melhores características afloram. Quem comete a agradável ousadia de apreciar, durante a Festa, o cardápio típico da colônia servido no Salão Paroquial, sabe bem do que estou falando. Salute e buon appetito a tutti quanti!

(Publicado no jornal Pioneiro na seção especial intitulada "O Cronista na Festa", em 28 de fevereiro de 2012)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ser e estar

Ando descobrindo em mim certas inabilidades pessoais que até então nem imaginava possuir. A cada novo evento a que compareço, certifico-me de que sou uma criatura completamente desprovida de senso de posicionamento espacial social, habilidade fundamental para transitar com desenvoltura em recepções e solenidades que exijam um traquejo que alguns desempenham com naturalidade enquanto outros, como eu, põem-se a derrubar candelabros. É como se eu fosse uma peça de xadrez que ficasse caindo para fora da própria casa e invadindo o quadrado do bispo ou esbarrando na rainha.
Noite dessas fui a um coquetel regado a espumantes em uma galeria onde obras artísticas disputavam espaço e atenções com o desfile de cobiçadas bandejas atopetadas de canapés coloridos. Naturalmente deslocado como sou, colei-me a um canto e pus-me a sondar o ambiente, que lotava com o passar dos minutos e com o secar dos cálices. Não demorou para eu notar que, ali onde me plantara, estava a obstruir a vista de uma das telas expostas, alvo da curiosidade dos presentes que contorciam pescoços em torno de minha silhueta, tentando apreciar a obra que eu ofuscava.
Dei dois passos para o lado para terminar com o incômodo e, em poucos minutos, passei a ser alvo de cotoveladas e bolsadas desferidas por senhoras e raparigas que buscavam acessar a mesinha dos docinhos frente aos quais agora eu me interpunha. Novamente recuei e me pus insipidamente no espaço em branco entre duas telas, imaginando fazer-me, enfim, inócuo, quando percebi estar sendo atentamente observado por entre os óculos de uma senhorinha fincada no meio do salão. Via ela em mim uma escultura (claro que de gosto duvidoso) a ser também analisada entre as obras ali dispostas.
Atravessei o salão a fim de encontrar espaço vital, mas atrapalhei o acesso aos banheiros. Arrastei-me para o lado e dificultei a chegada dos atrasados a partir da escada. Arremeti de volta ao salão e estacionei frente à mesa central onde todos me esbarravam na sanha por capturar as empadas de salmão. A harmonia espacial do ambiente só se recompôs quando providenciei a retirada de minha pessoa dali. Tenho inaptidão para conjugar os verbos ser e estar ao mesmo tempo.
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 24 de fevereiro de 2012)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A nova face dos heróis

(Vem cá, a identidade dessa galera de colant colorida não deveria ser secreta???)


Passei boa parte de minha infância adquirindo e lendo gibis de super-heróis. Homem-Aranha, Os Vingadores e X-Men figuravam entre minha galeria de preferidos, e eu descarregava toda a minha mesada na aquisição das revistinhas para acompanhar as sagas. Os enredos seguiam a estrutura de novelas, especialmente nos aspectos relativos à vida dos personagens em suas identidades secretas, com seus amores, problemas, profissões (o fracote e quatro-olhos Peter Parker, fotógrafo do jornal Clarim Diário, era meu predileto).
Isso era nos anos 70, e o cinema ainda não dispunha dos recursos tecnológicos que agora a fantástica indústria dos efeitos especiais disponibiliza, permitindo, enfim, levar às telas com impressionante realismo tudo aquilo que as imaginações desvairadas de autores como Stan Lee, Bob Kane e outros concebiam para seus heróis impressos em papel. Cresci, mudei meus interesses literários e pouco hoje me seduzem as fantásticas versões cinematográficas de meus antigos heróis de infância, apesar de admitir ficar embasbacado com os efeitos especiais.
Uma coisa, no entanto, me incomoda nessa fase atual da transmigração do universo dos heróis superpoderosos trajando roupas colantes para as telas de cinema. É o descaso para com as máscaras dos personagens. Vejo os cartazes promocionais dos filmes e estão lá Homem-Aranha, Capitão América, Homem-de-Ferro, trajados com seus uniformes tradicionais, porém, sem as máscaras que por décadas os caracterizaram, expondo as faces dos atores que os interpretam. Por que isso?
Primeiro, porque certamente os astros hollywoodianos exigem tópicos contratuais que garantam capitalizar para suas imagens a fama obtida com o sucesso dos filmes. Segundo, porque me parece que algo mudou no conceito moderno de combate ao crime. Décadas atrás, os super-heróis, empenhados em combater o mal, faziam-no por puro diletantismo, preservando para si próprios suas identidades secretas. Nos dias de hoje, fazer o bem e combater o mal é tão raro que algumas pessoas que se dedicam a isso fazem questão de serem reconhecidas por tal, e exigem os louros para abrilhantar seus currículos. Fazer o bem, agora, virou marketing. A começar pelos super-heróis.
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 17 de fevereiro de 2012)