segunda-feira, 2 de julho de 2018

Esse deserto sem fronteiras


Estamos sós. Após tantas especulações, depois de tanto investimento em pesquisas astronômicas e astrofísicas, após tantos debates e dezenas de centenas de milhares de relatos de possíveis encontros e de supostos avistamentos, após tantos filmes e livros de ficção-científica, parece que, a bem da verdade, a humanidade é mesmo a única expressão de vida inteligente existente em todo o universo. Ao menos, essa é a conclusão a que chegaram recentemente três (obviamente inteligentes) cientistas da Universidade de Oxford, que se dedicaram a analisar minuciosamente as leis da probabilidade que entram em cena quando a questão é admitir ou não, na teoria, a existência de outras civilizações habitando outros planetas em distantes galáxias. Conforme o resultado do estudo, é bom irmos nos acostumando com a ideia: o quintal do universo é todo nosso. Não temos vizinhos. Estamos sós.
Os autores do estudo são Anders Sandberg, pesquisador do Instituto Futuro da Humanidade, da Universidade de Oxford; o engenheiro Eric Drexler, responsável por popularizar o conceito de nanotecnologia; e Tod Ord, professor de Filosofia também em Oxford. Detalhando as coisas, o trio de humanas inteligências científicas demonstra que, apesar do incontestável fato de existirem bilhões de galáxias no universo, e que cada uma dessas galáxias contempla a possibilidade (a possibilidade, ressalte-se bem, e não a certeza inequívoca) da existência em seus sistemas solares de planetas habitáveis, e que em alguns desses trocentos milhões de planetas habitáveis pode ter surgido vida, e entre essas tantas vidas poder haver vida inteligente, apesar disso tudo, nada, absolutamente nada, mas nadica de nada e nadinha garante que de fato ela exista fora daqui da Terra. E dizem mais, os três impiedosos inteligentes cientistas oxfordianos: asseguram que a possibilidade de estarmos, nós, terráqueos, sós no universo, em termos de expressão de vida inteligente, beira à casa dos 85%. Mas que barbaridade, diria um solitário e silencioso Blau Nunes à noite, a sorver sua cuia de chimarrão enquanto observa o céu estrelado das solidões pampeanas gaúchas. Que barbaridade!
Porém, Blau Nunes, frente a isso tudo, não consegue evitar chegar à seguinte conclusão: se for levado em conta que o parâmetro atestado para classificar como “inteligente” determinada forma de vida for aquele que enquadra no topo da lista os seres humanos que habitam o planeta Terra, então, o mais correto seria afirmar que é o Universo inteiro quem está só, absolutamente só, deserto e inabitado. Que barbaridade!
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 2 de julho de 2018)

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Um dilema ao pé do vulcão


Cenário 1: À sombra de um vulcão, no Período Cretáceo, exatos 65 milhões de anos atrás. Venha, madama, não tenha medo, suba aí nesse coqueiro e observe. Eu sou Ugh, meu ancestral direto, um típico homem das cavernas. O dia já amanheceu e eu, Ugh, vou saindo, tacape em punho, da caverna que habito com Agh, a mulher das cavernas minha companheira, com quem tenho os filhos Ughinho, Bambam e Pedrita, para alimentar. A expectativa de todos é de que eu retorne logo trazendo um suculento dinossauro para servir de refeição para toda a família. Ainda não criaram a tele-entrega e nem a língua inglesa para substituí-la por delivery, impossíveis de imaginar antes da invenção das motocicletas, dos telefones para fazer os pedidos e dos motoboys. Só resta mesmo eu, Ugh, empunhar o tacape e ir à caça do primeiro dinossauro que encontrar pela frente e transformá-lo em banquete. Lá vou eu.
Horas depois, já ao findar do dia, retorno à caverna de mãos vazias e com uma catastrófica notícia para informar à faminta família: não há mais dinossauro algum sobre a face da Terra. Eles acabaram de ser extintos. “Como assim, extintos?”, exclama, indignada e desconfiada, Agh, minha esposa das cavernas. “Ainda ontem você trouxe um belo Risotossauro com o qual fiz a janta e só não congelei o resto porque ainda nenhum de seus amigos inúteis inventou o freezer! Como assim, os dinossauros estão extintos? Pra mim, você andou o dia todo é no Caverna-Club enchendo a cara com cinza de vulcão... Não me venha com essa, que quem vai acabar extinto aqui é você”! Bom, madama, agora desça da árvore e volte comigo às incivilizações da Era Moderna, à qual pertencemos. O Cenário 2 é essa nossa Caxias do Sul de 2018 depois de Cristo, quando descobri, aterrado, que os dinossauros acabam de ser extintos também em toda a cidade.
 Sim, madama, andei perambulando por todas as lojas de brinquedos dia desses, atrás de um ovo que, quando submerso em uma tigela de água, abre três dias depois e dá à luz um dinossauro esponjoso que faz a alegria de meu afilhado de seis anos de idade, a quem já brindei com dois exemplares da espécie e andei prometendo ampliar a família. O que eu não contava era com a extinção dos ditos-cujos, e minha situação deve ter sido similar à de Ugh, meu ancestral, que, assim como eu, precisou lidar com a decepção causada frente ao não cumprimento de uma expectativa gerada. Eu, de minha parte, comprei um álbum de figurinhas da Copa, a título de plano B. Já Ugh... Nem imagino o que fez... Talvez tenha se mexido e inventado a telentrega...
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 25 de junho de 2018)

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Salve a data e a língua!


Recebo via e-mail um convite para um evento. Os organizadores, organizados que são, enviam com antecedência de cinco meses o convite, a fim de que seus convidados possam se organizar a tempo (a pobreza de vocabulário invadindo tal qual vírus o estilo do cronista, enfileirando flexões empobrecidas dos termos  “organizadores”, “organizar”, “organizados”, “convite”, “convidados”... mas está frio demais para vasculhar regiões glaciais do cérebro em busca de sinônimos que enriqueceriam o texto... vai assim mesmo e peço calor humano...). Compreendo o objetivo louvável dos elaboradores (“elaboradores”? Não, horrível... voltemos a “organizadores”), que, a partir dessa técnica de antecipação convidacional (agora apelei ao neologismo; pelo menos, surpreende), convidam o convidado (argh!) a se organizar (ai!) e a já reservar a data em sua sempre atribulada agenda de compromissos.
Até aí, tudo bem. Problema é essa mania crescente, inexplicável, indesculpável e desconfortável que as pessoas andam cultivando, aqui pelas plagas verdeamarelas, de usar e abusar de termos, palavras e expressões em inglês para dizer aquilo que a língua portuguesa é capaz de expressar com perfeição e até mesmo, na maioria das vezes, com mais elegância. Lá vem o convite, aterrissando na tela de meu computador, via correio eletrônico (por que “e-mail”?), pedindo para que eu, em novembro, “save the date”. Hã? Cadê meu livrinho do nível três do cursinho de inglês? “Save the date”, explode na tela, alegre e brilhante, convidando-me a reservar a data. Não seria mais eficiente os organizados organizadores, ao convidarem o convidado, irem direto ao ponto solicitando, em bom português, que ele “reserve a data”? Por que tenho eu de “save the date”? What a hell? Quer dizer... Que diabos! Ou, em dialeto “talian”... Será que escrevem assim imaginando serem “chiques”? Ora, ser chique é cultivar a sua própria língua, a sua cultura, e não inflar estrangeirismos desnecessários.
Mas, de volta ao tema. Por que “save the date”? Por que os preços em promoção agora ficam “off” nas vitrines? Por que a invasão de “outlets”? Estabeleceu-se, porventura, o mantra de que em inglês o cliente gasta mais? Em inglês o convidado reserva a data? Por que não empregar então, em Caxias do Sul e adjacências, o italiano? “Prenota la data”, deveria sugerir o convite. Para convidar os vizinhos da Região das Hortênsias, vamos direto no alemão: “Buchen Sie das Datum”, e pronto, estaremos todos lá, reunidos, felizes e contentes, na data devidamente “saved”. Afinal, tudo é uma questão de organização, isn´t?
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 18 de junho de 2018)

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Velharias em descompasso


“Anacronismo” é o termo que se emprega para identificar uma atitude ou fato que não esteja de acordo com a sua época. Fazer algo, agir ou mesmo pensar e defender ideias que já foram enterradas pelo processo evolutivo ininterrupto da humanidade significa incorrer no “pecado” do anacronismo. Torna-se, portanto, imperioso que se fique atento às tentativas de resgate de anacronismos que de vez em quando surgem aqui e acolá, porque, mesmo que revestidas de uma aura aparentemente inócua e bizarra, essa ideias estão sempre tentando encontrar terreno fértil onde possam voltar a florescer para reconduzir a sociedade de volta às trevas, instituindo processos perigosos de retrocesso e involução social, ética e humana. A defesa das conquistas civilizatórias precisa ser constante e perene, sob o risco de se verem engolfadas por ondas obscurantistas que surgem e se avolumam à sombra de nossas eventuais desatenções.
Comecemos por um exemplo manso de anacronismo, desprovido de más intenções. Você, leitor amigo, leitora atenta, não irá chamar nenhuma pessoa de seu círculo de relações de “vossa mercê”, e nem mesmo de “vosmecê”, que é como esse antigo pronome de tratamento evoluiu com o passar do tempo. Você vai empregar mesmo é o termo “você”, pois estamos vivendo em pleno século 21 e não mais na era do Brasil colonial. “Vosmecê” e “vossa mercê” desapareceram no tempo, ao passo da evolução do processo de horizontalização das relações sociais, e se tornaram, hoje, anacrônicos. Empregar trabalho escravo é uma prática que também desapareceu (ao menos, oficialmente) nas brumas do tempo, repudiada pelo processo civilizatório. Hoje, escravagismo é crime e configura um anacronismo deletério.
A questão está justamente aí: em identificar e combater as tentativas de ressurgimento de anacronismos deletérios, e nessa esteira pode-se elencar vários deles que não cansam de teimar em recolocar a fuça para fora do lodaçal ao qual já haviam sido condenados pelo bom senso e pela civilização. Discriminar pessoas por sexo, raça, gênero, opção sexual, ideias, identidade de gênero, posição política, status social, forma física, é anacronismo. Fumar em ambientes fechados, beber e dirigir, também estão saindo de moda. Assediar e oprimir sexualmente outrem, já era. Julgar-se proprietário do outro em relacionamentos é postura anacrônica. Ah, defender revolução armada é coisa do século passado. E imaginar que intervenção militar pode ser a solução para problemas sociais e políticos, então, é anacronismo dos mais preocupantes (e deletérios). Estejamos alertas.


(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 11 de junho de 2018)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

A bordo da nau de Bosch


Cem anos atrás, em 1918, o Museu do Louvre, em Paris, passava a incorporar em seu acervo uma tela significativa e importante pintada por um renomado artista holandês medieval. O pintor, autor da obra-prima, chamava-se Hieronymus Bosch, nascido em 1450 e morto em 1516. O nome esquisito não era nome de batismo, mas, sim, um pseudônimo inventado por Jeroen Van Aeken, provavelmente para esconder sua verdadeira identidade e escapar das garras da Inquisição, uma vez que o conteúdo temático de grande parte de suas obras costumava retratar de forma alegórica e crítica os excessos do clero europeu e o comportamento bárbaro da sociedade de sua época. Previdente e esperto esse Von Aeken, conhecedor de técnicas básicas de segurança e sobrevivência quando se está imerso em tempos intolerantes e insanos, como eram aqueles dias.
A tela em questão, acolhida desde então pelo Louvre (o quadro segue lá, pendurado na parede, para quem quiser e puder conferir de perto), é conhecida pelo título “A Nau dos Insensatos” e mostra um grupo de pessoas desprovidas de juízo e de lucidez reunidas em um festim luxurioso a bordo de uma pequena e frágil embarcação. A atmosfera resultante da interação dos inconsequentes personagens retratados na cena pintada pelo talento de Bosch (aliás, um dos precursores do movimento Surrealista que, no século XX, teria Salvador Dalí como um dos maiores expoentes no âmbito das artes plásticas) induz o observador à incômoda sensação de estar testemunhando um triste, perigoso e suicida processo de desagregação social que conduz direto ao caos. O caos, por sinal, é o único destino plausível de ser alcançado por uma nau composta por uma tripulação de insensatos (pleonasmo gentil para “loucos” mesmo, ou “desmiolados inconsequentes”).
O que esperar de uma embarcação dessa natureza? Ora, que eles próprios, os insensatos a bordo que usurparam o leme, atendendo à cegueira ensandecida de seu surto indomável, acabem furando o fundo do barco e com ele naufraguem, tragados ao abismo revoltoso para o qual conduziam seu destino desde que se deixaram levar pelos instintos incivilizados que os dominavam. Com essa tela contundente, Bosch procurava advertir, de forma burlesca, contra a perda dos valores éticos e civilizatórios que abre as portas para a barbárie e leva a sociedade ao caos. É estranho: 500 anos se passaram desde que ele pintou o quadro e eu aqui, do outro lado do mundo, em pleno século 21, me vejo balançando e sentindo enjoos como se estivesse, repentina e inadvertidamente, a bordo da dita nau. Que insensatez!
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 4 de junho de 2018)

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O reabastecer de um pecado


A inveja é, entre todos os sete pecados capitais, possivelmente o mais autodestrutivo dos sentimentos que se pode cultivar. Tudo bem, também há a gula, conforme ressalta madama, essa sempre tão atenta leitora. Verdade: a gula, quando exercida em sua plenitude pecaminosa, acarreta efeitos deletérios irreversíveis ao corpo do pecador de maneira tamanha que talvez nem mesmo a redenção por meio de dietas e horas de academia seja possível de ser alcançada. Mas a inveja, madama minha, a senhora sabe: ela corrói por dentro, ela danifica a alma, ela deteriora a lucidez, ela carcome a leveza e a alegria de existir, ela infecta venenosamente a essência daquilo que somos em função da inalcançabilidade do objeto invejado. Inveja mata aos capítulos, madama, e é ruim.
Reflito sobre o poder da inveja ao longo desses dias turbulentos que vivenciamos desde que a legítima e justa greve dos caminhoneiros nos foi privando aceleradamente do poder de locomoção causado pelo desabastecimento dos combustíveis nos postos, obrigando-nos a reduzir nossos deslocamentos automotorizados na medida em que a consciência do problema passava a ser apreendida ao ritmo do esvaziamento dos tanques de nossos carros. O desacelerar compulsório do ritmo do cotidiano talvez ofereça como ponto positivo a possibilidade de encontrarmos então aquele tempo tão precioso para refletir sobre alguns aspectos da existência que moldam o que somos, individualmente e também enquanto sociedade. Assim, pus-me a refletir sobre a inveja, especialmente essa inveja ancestral humana, que se manifesta em sua plenitude sempre que nós, terrenos seres humanos caminhantes, alçamos os olhos aos céus e flagramos o voo de uma ave.
Ah, que inveja desse voo livre que aquele pássaro traça elegante e levemente deslizando pelo céu. Em questão de segundos ele atravessa o bairro e desaparece no horizonte por detrás da torre da igreja, vencendo sem esforço uma distância que eu precisaria de penosas dezenas de minutos alçando um pé atrás do outro, ou que só conseguiria cumprir em pouco tempo dirigindo o carro que adormece desidratado na garagem. Veículos agora são incapazes de me mover daqui rumo a meus compromissos e engulo o gosto amargo da inveja pelas asas de Ícaro, pelas asas de anjos e arcanjos e pelas asas dessa delicada borboleta que não sei como consegue batucar o vidro da janela de meu escritório no alto desse décimo-primeiro andar. Melhor aterrissar de novo o devaneio, madama. Andamos mesmo precisando nos alimentar de novos combustíveis nessa nossa maneira de sermos brasileiros.
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 28 de maio de 2018)

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Reinações de lá e de cá


Enquanto aqui em Caxias do Sul celebramos a goles de graspa e vino rosso a coroação do novo trio de soberanas da Festa da Uva, entronizadas na noite do último sábado, os britânicos espalhados pelo planeta seguem elevando brindes com suas “pints” ao enlace matrimonial de seu Príncipe Harry com a atriz norte-americana Meghan Markle, ocorrido também no sábado, devidamente distanciados os dois eventos em termos de fuso, pompa, gala e gastos. Conforme me ia relatando o barbeiro, na gélida manhã de sábado da semideserta Caxias encarangada de frio, enquanto conduzia por minha cabeça a máquina de corte (que pouca resistência capilar encontrava pelo caminho), informado que estava a respeito dos dois majestosos eventos, soube que só o vestido de noiva da sorridente Meghan custara cerca de 500 mil reais. Coisa de arrepiar os cabelos, caso eu os tivesse em volume suficiente que justificasse idas mais frequentes ao encontro do atilado profissional da tesoura, do corte e da costura de dados curiosos.
Quinhentos mil reais por um vestido de noiva é coisa que dá o que pensar. Bem, né, madama, dá o que penar às cabeças de nosotros, terceiro-mundistas militantes das plagas de cá das mazelas do mundo, espevitados que andamos com os escândalos financeiros envolvendo políticos nacionais, cujas cifras permitiriam financiar vestidos de casamentos reais por gerações e gerações de sangues azuis sem pestanejar. A sorridente Meghan deve ser a última mortal do mundo a encasquetar-se com isso, especialmente hoje, em que já deve estar saboreando as delícias da sua edílica lua-de-mel com a real barba-ruiva de seu marido em um hotel de luxo lá na Namíbia, sul da África, emoldurada ao pôr-do-sol e ao rugir dos leões e das zebras. Das zebras não, que zebra não ruge, né, madama. Dos leões e dos tigres, então. Como? Tigres também não, pois não há tigres na África, só na Ásia? Ora, madama, Ásia, África, tigre, leão, vestido caro, e lá a norte-americanice natural de Meghan e seu sorriso haverão de se importar com esses frivolidades? Ela está é dedicada a usufruir de sua suíte de 2,5 mil reais a diária, isso sim, onde há de haver um cofre grandão para guardar seu vestido de meio milhão de dinheiros.
Ou isso, ou está analisando as provas da estátua de cera de sua pessoa, a ser instalada no Museu da Madame Tussauds, em Londres, para que nós, da plebe mundial, possamos fazer selfies ao lado de sua agora nobre imagem. Tudo isso fiquei sabendo ao longo do corte, por meio do barbeiro esclarecido. Pena que pouco me sobrou sobre a cabeça para sair dali devidamente arrepiado.
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro" em 21 de maio de 2018)