Sempre gostei de retrospectivas
jornalísticas de final de ano sobre os fatos que marcaram os doze meses que se
botam a findar em 31 de dezembro. Nos anos 1980, aguardava com expectativa e
ansiedade os programas especiais televisivos, tradicionalmente narrados por Cid
Moreira, para relembrar os acontecimentos que haviam sacudido o Estado, o país
e o mundo. Não havia internet e o gatilho da memória ficava por conta das
televisões, dos jornais e das emissoras de rádio.
Mas agora tem internet. Tem
internet e tem também a tevê a cabo, com trocentos canais, cada qual com suas
retrospectivas específicas: o que marcou na música, o que marcou na moda, o que
marcou nos esportes, nisso, naquilo, naqueloutro. Hoje há uma banalização das
retrospectivas e confesso que sequer estaciono o olhar nos canais de tevê que
se dedicam ao levantamento jornalístico do que rolou durante o ano. Até porque,
Cid Moreira está aposentado. Perdeu a graça.
Mas quando a graça se perde, há
que se reencontrar a graça onde quer que ela esteja. Fui dar uma vasculhada
pela internet e não é que encontrei? Olha só essa: um site se deu ao trabalho
de fazer um levantamento elencando as perguntas mais bizarras feitas em
entrevistas de emprego ao redor do mundo, no ano de 2015. Questionários
aplicados em várias empresas em diversos países foram analisados e as “pérolas”,
selecionadas. Entre elas, uma me chamou a atenção: “Qual a sua princesa Disney
favorita?”. Bem, o amigo leitor e a atilada leitora poderão contrapor que a
pergunta até poderia fazer sentido em se tratando de entrevista de emprego para
trabalhar na Disneylândia. Ok. Só que não era. Eu, por exemplo, teria
dificuldade em escolher entre Cinderela, a Bela Adormecida e Branca-de-Neve. Não
passaria nessa pergunta.
Outra: “Quem venceria uma luta
entre o Batman e o Homem-Aranha”? Ora, o Homem-Aranha, lógico! Ele tem teia! Outra
(essa aplicada pela Apple): “Qual o seu segredo pessoal”? Ora, essa é fácil. A
resposta certa seria: é segredo! A lista é grande e segue nesse nível. Daí para
baixo, claro. O que se tira disso? Ora, estimado e prezada: tira-se disso nada
ou tudo, dependendo da capacidade de cada um extrair o que reside de sentido
nas entrelinhas. De minha parte, preferiria uma retrospectiva jornalística
tradicional de final de ano. Vou ligar para o Cid Moreira...
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 2 de janeiro de 2016)
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