Nem sempre saber das coisas é
uma boa ideia. Às vezes, permanecer na ignorância, especialmente quanto a
questões relativas a você mesmo, pode ser mais saudável para a manutenção de
sua sanidade mental e autoestima. Diz a Bíblia que a queda da humanidade começou
a se dar a partir do momento em que Adão e Eva, burlando as regras impostas
pelo Criador no jardim do Éden, decidiram experimentar, sim, do fruto da Árvore
do Bem e do Mal, aquele que, ao ser degustado, lhes abria as portas da
percepção e lhes proporcionava conhecimento. Perderam, assim, a inocência que
lhes permitia seguirem habitando o Paraíso e dele foram expulsos.
Trata-se, a passagem bíblica, de
uma metáfora poderosa para demonstrar que o acúmulo de conhecimento está direta
e inversamente ligado à manutenção da inocência, representada pelo pouco saber
das coisas. Quanto mais sabemos, menos ignorantes e menos inocentes somos. Nem
sempre trata-se de uma questão de opção possuir o acesso ao saber. Mas possuir
esse acesso e decidir não usufruir dele, aí, sim, é questão de exercício do
livre arbítrio. Podemos optar por não saber e, assim, engrossarmos
deliberadamente as fileiras dos ditos piores cegos, que são aqueles que, como
atesta o ditado popular, têm olhos mas não querem ver.
Digo isso tudo porque eu, ontem,
ao ler uma notícia na internet, descobri algo sobre mim mesmo que preferiria
não ter tido conhecimento. Cheguei à conclusão, minha senhora leitora, meu
prezado leitor, que eu sou uma pessoa má. Muito má. Sou mau, mau, mau, mau,
mau. Acompanhem meu raciocínio. Li que saiu na revista “Forbes” a notícia de
que o homem mais rico da China, o senhor Wang Jianlin, presidente e fundador do
grupo imobiliário Dalian Wanda, simplesmente mais do que dobrou a sua fortuna
em um ano. Ano passado, ele possuía 13 bilhões de dólares. Este ano, ele chegou
aos 30 bilhões de dólares. Até aí, tudo bem. Jianlin deu uma entrevista à
imprensa em que afirmou que “é bom ter dinheiro”. Até aí, tudo bem, também. Mas
ele disse mais. Ele disse que “a maioria das pessoas que têm dinheiro, e muito
especialmente as pessoas extraordinariamente ricas, são boas pessoas”.
Somando a mais b e noves fora,
concluo, ao tomar conhecimento disso, que sou uma pessoa muito, muito, muito,
mas muito má. Preferia não ter ficado sabendo disso...
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 27 de outubro de 2015)
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