terça-feira, 14 de janeiro de 2014

O BBB me faz feliz

Descubro ao folhear os jornais, ao zapear pela televisão, ao navegar na internet que, na terça-feira da semana que vem, terá início mais uma edição do programa Big Brother Brasil. Será a décima-quarta temporada deste que se transformou em um dos maiores sucessos de audiência da televisão brasileira em todos os tempos, movimentando milhões de reais em publicidade e atendendo ao voyeurismo que se transformou no principal esporte nacional de beira de sofá.
Ao saber disso, fico feliz. Fico feliz por saber que, a partir do dia 14 de janeiro e durante várias semanas dali em diante, em todo o recinto que eu adentrar, na sala da casa de qualquer família, no restaurante, na lanchonete, onde quer que haja uma televisão, ela estará sintonizada nas intrigas repetitivas e rasas dos novos integrantes do BBB. Fico feliz porque isso é um estímulo a mais para fazer andarem as minhas leituras. Afinal, eu tenho uma pilha de livros a serem lidos que se encarapita na cabeceira de minha cama e já abriu sucursal em quatro prateleiras de minha estante de livros no corredor. Eles precisam ser lidos; foram criados para essa finalidade, foram adquiridos para isso, foram-me presentados com esse intuito.
E nada melhor do que uma programação imbecilizante na televisão para me empurrar sem desculpas as fuças e os óculos de leitura para dentro das páginas de “O Morro dos Ventos Uivantes” que há tantos anos ali me espera e este ano vai; para “Grande Sertões: Veredas”, que é uma afronta pessoal ainda não ter lido; para dois volumes de contos saborosos de Machado de Assis, cujo estilo inimitável adoça meu espírito; para diversos títulos de Alberto Moravia, esse italiano venerável em cuja obra viciei; para “A Volta do Gato Preto” do Erico Verissimo, em sua convidativa versão de cronista de viagem; para aquela biografia do Rubem Braga e, quem sabe até, para encarar de uma vez por todas o “Assim Falou Zaratustra”, já que estou aqui a revelar lacunas de leitura.

Bem-vindo, Big Brother Brasil! Enquanto milhões de brasileiros espiam as banalidades da casa mais vigiada do país, eu desapareço a viajar ao redor do meu quarto, como já dizia um autor cujo nome, só de sacana, não vou compartilhar. Se quiserem, perguntem a algum dos brothers.
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 10 de janeiro de 2014)

3 comentários:

Le Vin au Blog disse...

A sua lista de leituras tem um nível bem mais alto que a minha. :)
A minha justificativa, que dou sem ter sido requerida, é que terei que fazer leituras pesadas para meus estudos neste ano e o que preciso nas horas de folga é de leiturinhas sem compromisso. Vejo agora, porém, que minha justificativa é meio furada, pois Machado de Assis é tão agradável quanto um Marian Keyes. Bom, Grande Sertão: Veredas deve ser um pouco mais difícil, imagino. Este também é um livro que está há anos em uma lista de livros que gostaria de ter lido.
Boa sorte!

Le Vin au Blog disse...

A sua lista de leituras tem um nível bem mais alto que a minha. :)
A minha justificativa, que dou sem ter sido requerida, é que terei que fazer leituras pesadas para meus estudos neste ano e o que preciso nas horas de folga é de leiturinhas sem compromisso. Vejo agora, porém, que minha justificativa é meio furada, pois Machado de Assis é tão agradável quanto um Marian Keyes. Bom, Grande Sertão: Veredas deve ser um pouco mais difícil, imagino. Este também é um livro que está há anos em uma lista de livros que gostaria de ter lido.
Boa sorte!

marcos fernando kirst disse...

Oi Rafa. Bem, digamos que minha lista de leituras é um pouco pretensiosa, elencada para fazer efeito literário no texto. Alguns dos livros citados serão realmente lidos este ano, mas tenho sérias dúvidas em relação ao "Zaratustra...", ehehe. Boa sorte pra ti também, em tuas leituras de estudos. Abs