terça-feira, 15 de agosto de 2017

O reinado da peçonha

Dia desses vi circular pela internet um artigo de um jornalista do centro do país elencando cinco “roubadas” (definidas por ele) para se evitar ao visitar certa cidade turística da Serra Gaúcha. Apesar do título chamativo, logo fica claro, na leitura do texto, que as tais “roubadas” não passam de ataques direcionados à essência daquilo que o turista encontra ao visitar a cidade, como sua gastronomia, sua estrutura, suas atrações. Não é um texto crítico, porque não amplia as fontes, não oferece o contraponto, não aprofunda as questões, não busca alternativas. A intenção do autor é uma: atacar, desconstruir, fazer terra arrasada e escapulir das cinzas exibindo a própria (autossuposta) sagacidade.
Uma cidade turística (ou não) tem problemas? Claro que sim. Qual não tem? Melhorar, desenvolver, organizar, são metas constantes dos administradores (públicos e privados) de qualquer município, empresa, estado, país, instituição, grupo, comunidade, o que for. Por isso, críticas e sugestões são sempre bem vindas por parte de quem está envolvido nos processos de gestão. Mas é fácil separar a crítica construtiva do raso ataque destilador de peçonha. E estamos a viver um tempo em que a destilação da peçonha virou o senso comum a pautar a maioria das manifestações em todas as plataformas dos relacionamentos humanos. Picar e injetar veneno virou esporte nacional, a despeito de classe social ou de nível de instrução. Combater o ódio com o ódio se transformou em alternativa instantânea para o descarrego urgente das insatisfações, porém, o método não acarreta melhora alguma no quadro, pelo contrário, só amplia o mar de ódio. Os ataques deselegantes resultam no imediato nivelamento do atacante ao perfil de seu alvo.
Desconstruir, desmoralizar, consolidar pré-conceitos, endemonizar virou moda. “Vejam como sou esperto, olhem só como mordo, como sou temerário” são os motivadores das ações grotescas da maioria contra os alvos que elegem para receber as toneladas de ódio que brotam dos gramados sombrios de suas próprias índoles. São usinas de produzir raivosidades que não hesitam em metralhá-las em volta, desde que, claro, elas não os atinjam. Imaginam que, latindo e mordendo, se colocam a salvo do julgamento dos outros, posicionando-se no topo da pirâmide da intocabilidade. Empreendem energia não para criar e transformar para melhor, mas para latir enquanto as caravanas construtivas passam.

Frente a esse quadro, é melhor já ir intitulando minha própria lista de antídotos anti-peçonha: “Trocentos motivos para ficar na minha”.
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 14 de agosto de 2017)

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Xeque-mate na "bisca"

Após duas décadas e meia vivendo na Serra Gaúcha e por mais de 15 anos frequentando Uvanova, essa simpática e discreta cidadezinha situada na divisa entre Vila Faconda e Tapariu, encravada ao pé (ou às patas) do Rio das Antas, descobri que qualquer pessoa provida com um mínimo de inteligência aprende a jogar bisca. Prova disso é que eu não aprendo. Já tentaram de tudo, meus sogros, minha esposa, meus cunhados, os primos de meus cunhados e de minha esposa, as tias e os tios de minha esposa e cunhados, os vizinhos, as crianças semialfabetizadas, os primos dos primos e os tios dos primos e os cunhados dos tios dos primos e agregados vindos de todas as redondezas (porque a família ali é grande e não há quem não saiba jogar bisca), mas não adianta. Eu não aprendo.
Chego a provocar espanto até entre os bois e as vaquinhas da roça, que me fitam de olhos esbugalhados sempre que surjo, e sei bem o que ruminam quando passo me enroscando nos arames farpados e estapeando mosquitos: “muuu, lá vem aquele que não sabe jogar bisca”. Sou motivo de espanto imensurável entre todos os uvanovenses devido a essa minha peculiar incapacidade cognitiva. “Esse homem joga xadrez e não aprende a jogar bisca”, já flagrei sussurrarem enquanto mexiam a mêscola dentro do tacho a produzirem massa de tomate. Que eu não saiba sacudir a mêscola, até admitem. Mas não aprender bisca, sacramento!
Além do mais, não é verdade que eu saiba jogar xadrez. Domino apenas o movimento de cada peça e consigo fazer cara de gênio enquanto fico uns 15 minutos com a mão no queixo observando o tabuleiro antes de mover decidido – pam! – a torre duas casas à frente para vê-la de imediato – pam-pam! – ser capturada pela dama adversária, que não precisou mais do que 15 segundos para detectar minha babaquice. Fico constrangido quando uma dama captura minha torre mas, pelo menos, no xadrez, engano durante algum tempo. Na bisca, escancaro minha burrice já na primeira rodada, quando não entendo o que é um “cargueiro” ou o que acontece quando sou “estroçado” (han?) e por que diabos antes o sete de copas era o cara e agora não vale nada? Ah não! Desisto. No xadrez, a rainha é sempre a rainha; o bispo só faz o que os bispos fazem. O mundo representado pelo jogo de xadrez parece estável, com regras claras e imutáveis.

Já a bisca... A bisca representa a mutabilidade imprevisível da vida. E ela, em si, já é tão difícil de apreender. Nesse cada vez mais caótico mundo em que vivemos, tenho preferido a ilusória segurança das certezas do xadrez. Isso, até levar o xeque-mate, claro...
(Crônica de Marcos Fernando Kirst publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 7 de agosto de 2017)

O cotovelo do "troglolaite"

Não adianta, e a madama bem sabe disso: pau que nasce torto jamais endireita. É o meu caso, como a amiga leitora já percebeu. Observe. Noite dessas, presente que me fazia a um evento social concorridérrimo (o sufixo “dérrimo” é mais chique que o sufixo “díssimo”, são detalhes que fazem a diferença ao socializar, a senhora atente), transitava eu feito um Titanic periclitante por um mar de icebergs, equilibrando minha tacinha de champanha que aprendi a chamar de espumante, quando meu cotovelo esbarrou contra uma pirâmide de macarons que de pronto foi a pique.
Veio abaixo a refinada estrutura piramidal de plástico que sobre uma mesinha de centro sustentava e exibia os delicados, coloridos, deliciosos e disputados (especialmente entre as madamas, madaminhas e madamoças) docinhos ao estilo francês, que redonda e rapidamente se espalharam pelo salão, por entre saltos e sapatos, alguns indo parar junto aos rodapés e outros sendo infeliz e grotescamente esmagados e espetados pelo transitar frenético da sociedade. Meu desequilibrado gesto antissocial foi flagrado por uma dupla de garçons, cujas bandejas petrificaram. Boquiabertos, não sabiam o que fazer frente ao desconhecido (frente ao desastre desconhecido, não frente a mim, que por essas e outras ando cada vez mais conhecido).
Mas, como já aprendi nessas sociais ocasiões, fiz que não era comigo. Recolhi o cotovelo desastrado, bebi um gole do champanha, digo, do espumante e parti rumo ao garçom que no outro canto distribuía fumegantes panelinhas de louça recheadas com risoto ao funghi, a julgar pelo aroma de cogumelo farejado por minhas narinas que, nesses eventos, ficam afiadamente antenadas. Em duas passadas deixei às costas a cena da tragédia, sem presenciar os atos de salvamento. Isso até ser flagrado pelo olhar fixo e recriminador da senhora, madama! A senhora, que viu tudo: não só meu ato titânico de abalroar e desmantelar a pirâmide de macarons, como especialmente a minha imediata e covarde fuga da cena do crime, uma mão no bolso e a outra na taça da champanha (do champanha... da champanhe... do champanhe... e afunda-se de vez a classe).

Pois é, madama, a senhora, enfim, conseguiu ver o que há por trás da máscara: eu não sou um socialaite. Sou mesmo é um troglolaite. Um troglodita social. Um protossocial, um ser desprovido de ginga social. Um cavernossocial. Engomadinho, ensacado em um blaser e perfumado, até que engano alguns poucos por curtos momentos. Só que é impossível deixar em casa os cotovelos. O cotovelo de um troglolaite sempre acaba vindo à tona.
(Crônica de Marcos Fernando Kirst publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul,em 31 de julho de 2017)

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Cada um com seu tempero

Tenho aqui comigo a ingênua convicção de que fazer comida é um ato de amor. Sei lá por qual razão. Alguma coisa me diz que botar-se às panelas para cozinhar evoca sentimentos ancestrais protagonizados por mães, por avós e mães de avós, em eras remotas nas quais manusear panelas, conchas e mêscolas representava a habilidade de levar à mesa, para os entes queridos, os sabores dos alimentos preparados com a pureza do coração. Para mim, permanece viva até hoje a percepção de que cozinhar é uma atividade feliz. Porém...
Porém, pois é. Antes do “porém”, mais alguns “senões”. Lembro de minha avó materna, a dona Ilse, que cozinhava para toda a família como quem ama. Leitora contumaz e dona de casa aplicada, dona Ilse reinava na cozinha com a propriedade que as avós adquirem frente ao tempo de atividade junto aos fogões criados para alimentar proles ao redor do planeta. Ela fazia guisados de moranga como ninguém, galinhadas como só ela, feijão e bifes únicos. Vendia o peixe com frases marqueteiras como “não é porque eu fiz, mas está delicioso” e “nunca fiz tão bom”, com as quais concordávamos em silencioso uníssono, metendo bocas adentro os nacos de sua competência gastronômica.
O mesmo se dava com minha avó paterna, a dona Hermine. Delicada e elegante, dona Hermine produzia saladas de batata inimitáveis, que faziam sucesso nos churrascos de domingo pilotados por meu avô. Ela também moldava sonhos na Páscoa e esculpia tortas alemãs como a apfelstrudel, encravando marcas indeléveis em nossas lembranças gustativas. Ofertavam elas a nós, familiares, os frutos de seus atos amorosos. E saboreávamos aquilo tudo, digerindo lembranças. Minha mãe e minha sogra também cozinham com o mesmo amor herdado.

Porém... É embalado por esse tipo de elo afetivo que passeio pelos atuais programas de competição gastronômica, prolíficos nas grades dos canais de tevê, e me decepciono. O que vejo ali é desaforo, agressividade e humilhação pautando relações de gastronomia, onde o fazer de um prato deveria ser temperado somente por emoções como prazer, compartilhamento, alegria e estética. Mas, não. O chef, que tudo sabe, precisa escrachar o neófito, a serviço da audiência. Que tipo de audiência? A de quem vibra ao ver alguém ser espezinhado pelo outro, que sabe mais? O ideal não seria esperar que o detentor do saber ensinasse ao aprendiz com generosidade e acolhimento? Ah, não; eu, fora. Não assisto. É azedume demais. Desligo a tevê e vou para as panelas, orientado apenas por doces lembranças ancestrais. Para mim, esse ainda é o melhor tempero.
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 24 de julho de 2017)

Naquelas datas queridas

Naqueles remotos tempos de antanho, quando éramos crianças e fazíamos aniversário, não existiam empresas especializadas na produção e organização de festas infantis. Os palcos das reuniões dos amiguinhos, dos pais dos amiguinhos e dos parentes (tios, avós, primos) eram as casas das famílias mesmo, que em geral possuíam pátios e gramados pelos quais podíamos, depois de cantado o “Parabéns” e engolidos alguns litros de refrigerante, sair correndo desenfreados a brincar de esconde-esconde, pega-pega, chutação de bola, pula-corda e assemelhados, cujo resultado podia-se verificar à noite na hora de dormir, quando os joelhos esfolados eram apaziguados com a ardência do Merthiolate e os assopros consoladores das mães.
Se chovia, a bagunça era dentro de casa mesmo e arredavam-se cadeiras na sala para dar espaço à montagem do Forte Apache e das pistas para corrida de carrinhos de ferro (Matchbox, não Hot Wheels), ou para o esconde-esconde que resultava nas cortinas da casa emporcalhadas por mãozinhas e bocas lambuzadas de brigadeiro e glacê. Corria-se muito. Gritava-se muito. Ria-se aos borbotões. Caía-se às pencas. Levantava-se e voltava-se a correr. E a gritar. E a dar mais uma acelerada rumo à mesa dos doces, ultrapassar a barreira das pernas de algum tio esfomeado que atacava os croquetes e capturar uma mãozada de docinhos produzidos pelas próprias mãe, tias e avós do aniversariante. E de volta ao agito. Doce de confeitaria? Nem pensar! As já citadas mães, avós e tias é que formavam o batalhão que rumava às cozinhas às vésperas da data, para produzir as guloseimas que seriam fartamente consumidas no dia aniversarial. A única telentrega de que se tinha notícia era a de amor e afeto.
Ah, os bolos de aniversário configuravam um capítulo à parte. Minha mãe e avós eram verdadeiras artistas e produziam esculturas comestíveis tão belas quanto saborosas com massa de bolo, cremes doces, chantilly, merengues, gelatinas e assemelhados. Certa feita, meu bolo de aniversário era uma oca indígena, com índios de plástico do Forte-Apache dançando em volta (que, felizmente, sobreviveram ao ataque voraz dos mocinhos e mocinhas esfomeados). Em outra ocasião, o bolo era um tambor; depois, um relógio; um saloon de bangue-bangue com a diligência puxada a cavalo; a cara de um palhacinho e assim por diante.
Mas eram outros tempos. Hoje há quem faça e entregue. E ainda bem, afinal, não há mais horas de sobra nos dias de ninguém. Só espero não chegar a ver o tempo em que terceirizaremos também os convidados.

 (Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 17 de julho de 2017)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Um centauro na manga

Fica difícil escrever sobre centauros em plena vigência do século 21, uma vez que nós, cidadãos de nosso tempo, não acreditamos em centauros. Seria mais fácil (e plausível) fazê-lo se ainda estivéssemos mergulhados nas trevas supersticiosas da Idade Média, quando a maioria da população era iletrada e as fronteiras do mundo conhecido raramente se expandiam para além do perímetro das aldeias em que cada um carregava sua dura vida, monótona e descolorida. Naqueles tempos pesados, era crível haver terras rudes, além do horizonte, habitadas por gente exótica, falante de línguas indecifráveis, em meio a criaturas maravilhosas como os centauros, a fênix, o unicórnio, as sereias, os cíclopes, as salamandras, os silfos, dragões, harpias e sátiros. Entre outras.
Não era necessário avistar um centauro para ter certeza de sua existência a partir de relatos oriundos dos viajantes ou dos versos cantados por menestréis errantes. Isso, naqueles tempos remotos. Hoje, precisamos ver para crer e, assim, os centauros já não encontram mais lugar para se assentar entre as coisas em cujo existir cremos e que moldam o cenário de nosso mundo aceitável. Mesmo assim, falaremos sobre centauros, nos quais não acreditamos. Os centauros são seres híbridos, formados pela metade de um homem e a metade de um cavalo. O torso, a cabeça, o tronco até o ventre compõem a parte humana da criatura, que se encaixa sobre o corpo de um cavalo, formando uma figura bizzara. Um ser com rosto, peito e braços humanos sobre quatro patas equinas é como resumiríamos, sem elegância, a morfologia de um centauro.
Os centauros habitavam as páginas dos bestiários, compilações que na antiguidade se dedicavam a elencar os seres extraordinários que povoavam terras distantes, a excitar a imaginação, alimentar os pesadelos e cultivar o terror entre as gentes. O escritor argentino Jorge Luis Borges (1899- 1986) dedica atenção a ele em seu “O Livro dos Seres Imaginários”, obra em que procura listar alguns dos “estranhos entes que a fantasia dos homens engendrou ao longo do tempo e do espaço”. Borges apreciava atentar a questões como essa, apesar de também confessar sua falta de crença no centauro.

Por que, então, dispensar energia nos debruçando sobre uma criatura em cuja existência descremos e que, para nós, não faz o menor sentido? Ora, porque anda difícil para os cidadãos deste também sombrio século 21 acreditar em alguma coisa. Por via das dúvidas, talvez seja prudente guardar na manga algum centauro no qual se possa voltar urgentemente a crer, pois não?
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 10 de julho de 2017) 

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Ontem, o tecer do amanhã

Estudar o passado é a melhor ferramenta que existe (quiçá a única) para compreender o presente e construir o futuro. Foi sobre os erros e os acertos do passado que o presente moldou-se, e o futuro que queremos só poderá ser erigido se conseguirmos evitar os antigos erros cometidos e repetirmos (ou aprimorarmos) os acertos. Muitas vezes, o passado, que parece ilusoriamente mais remoto a cada ano que dele nos afastamos, vê seus reflexos e consequências se entranharem profundamente nos aspectos do cotidiano, tecendo e comandando o presente de maneira vital, aproveitando-se de nossa miopia. É um perigo.
A Segunda Guerra Mundial, por exemplo, conflito que terminou há 72 anos, exerce influência determinante no perfil do mundo que vivemos hoje, não só nos aspectos geopolíticos, econômicos, humanísticos e ideológicos, mas essencialmente nas questões éticas e morais. A portentosidade do episódio histórico conhecido como Segunda Guerra Mundial, a extensão de suas consequências e transformações, é tão imensa que segue gerando estudos, despertando atenções, estimulando teorias. E deve ser assim mesmo, porque é dessa tentativa de compreensão que resultará a possibilidade de se construir um mundo melhor, especialmente se a humanidade conseguir, na prática, varrer para o lixo todos os aspectos que pautavam a proposta de mundo conduzida pelo nazismo e pelo fascismo.
Os escritores franceses Louis Pauwels e Jacques Bergier defendem que o nazismo representava uma civilização completamente diferente daquilo que conhecemos como civilização, sem pontos de convergência e de comunicação intelectual, moral e espiritual com a nossa. Por isso que precisou ser combatido até a derrocada absoluta. A visão nazista de mundo é excludente, opressora, racista, intolerante, criminosa, violenta, sexista, assassina, corrupta, psicopata e movida pelo ódio. Seus mentores e acólitos foram derrotados militarmente e suas ideias execradas. Mas é preciso permanecer alerta.

Temos de estar constantemente atentos ao florescer de visões de mundo que não conversam com aquilo que aceitamos, conhecemos e adotamos como civilização, sob pena de implosão dos pilares sobre os quais se sustentam a vida em sociedade. A corrupção que carcome a sociedade brasileira não conversa com aquilo que se entende por civilização, e precisa ser combatida onde quer que ela se expresse, desde o roubo milionário dos cofres públicos nas altas esferas até o motorista que se diz cidadão mas foge do local após colidir o carro. A História é construída a partir do cotidiano dos anônimos.
(Crônica de Marcos Fernando Kirst, publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 3 de julho de 2017)