segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Antes que a canoa vire

Olha só, madama, vamos fazer um exercício de imaginação hoje, para ilustrarmos já de saída essa nossa reflexiva crônica de segunda. Você é uma pescadora, ok? Uma pescadora a senhora, um pescador eu. Feche os olhos e imagine... Não! Não feche os olhos, não, madama, senão não vai conseguir ler até o final. Imagine de olho aberto mesmo. Vamos lá. Você é um pescador, mora em uma casinha à beira-mar e o patrimônio mais precioso que possui é uma velha canoa de madeira que você usa todos os dias para vencer as ondas da rebentação, rumar mar adentro e soltar as redes, os anzóis e as iscas a fim de pescar os peixes que proverão o sustento de sua família.
Tudo bem até aqui? Certo, vamos adiante. Mal o sol apontou no horizonte e você já está a postos, empurrando solitariamente sua canoa ao mar e lá vai você, seus filhinhos acompanhando com o olhar a sua figura que vai se transformando em um pontinho minúsculo de encontro ao oceano. Pronto. O dia está bonito, quente, sem nuvens. Uma suave brisa matinal sopra e alcançamos a calmaria do alto-mar. A praia está distante já alguns quilômetros, você mal divisa o pico do mais alto prédio da cidade. É hora de começar a trabalhar. Só que... Opa! Que é isso? De repente, lá na proa, a água começa a entrar pelo fundo e a inundar lentamente sua embarcação. Como pode isso acontecer? Um furo? Mas como, um furo? Sim, é um furo e a água está entrando, e agora?

Lembre, você está sozinha em alto-mar em sua canoa, a quilômetros da praia, sem nenhuma outra embarcação por perto, nem viv´alma ao redor para socorrê-la. O que você faz? Vai gritar por ajuda? Vai esperar pelo socorro de alguém, da polícia, dos bombeiros, de Deus, da Fada Madrinha, do bispo, do Temer, do Lula, da Dilma, do Sérgio Moro, do Papai Noel? Não, né. Não há a quem recorrer, a não ser a você mesma. Não adianta gritar e nem empurrar seu problema para o colo de outra pessoa. Seu problema é só seu e você terá de se mexer para resolvê-lo. E o que acontece? Ora, você faz alguma coisa, sei lá o que, e se safa dessa. Afinal, não havia a quem repassar o abacaxi. Ao menos, não dessa vez. Ao invés de gritar, chorar, espernear, vituperar contra os azares da vida, você arregaça as mangas, soluciona o problema e retorna sã e salva para casa, a canoa reparada e repleta de peixes. Que é como deveria ser sempre, né madama? Solucionarmos os contratempos com mais vontade, mais suor e menos choro, porque se tem coisa de que o mar imenso não precisa é das gotas de nossas lágrimas de autocomiseração. E vamos lá que amanhã tem mais peixe à espera.
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 11 de dezembro de 2017)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A quem a cultura incomoda

Hanns Johst (1890 – 1978) é um artista que a população alemã não gosta muito de lembrar. Seu nome é um daqueles exemplos de personalidades que acabaram entrando para a História pela porta dos fundos devido às opções e atitudes assumidas ao longo da vida. Como sabemos, precisamos ter consciência de que responderemos eternamente pelas opções e atitudes que adotamos, mesmo que isso acarrete mergulharmos no obscuro lixo da História. Alguns o fazem deliberadamente, outros o fazem inconscientemente, mas a posteridade não abranda as consequências das nossas atitudes mesmo que pretendamos justificá-las com alegadas boas intenções. Elas (as tais das boas intenções) povoam o inferno, como atesta a sabedoria popular. E o desconhecimento da lei, da ética, dos valores, não absolve o infrator de responder pelas escolhas feitas. É prudente termos isso sempre muito claro.
Esse Hanns Johst, por exemplo, era um poeta e dramaturgo alemão que aderiu entusiasticamente desde a primeira hora à ideologia psicopata, racista, assassina, incivilizada, desumana e abominável do nazismo capitaneada por Hitler, Goering, Goebbels, Himmler e outras bestas-feras travestidas de gente. Foi um dos grandes intelectuais alemães a erguer a voz para defender, aplaudir e incentivar a queima de livros considerados “anti-germânicos” nas universidades alemãs nos meses de maio e junho de 1933, quando foram para as chamas obras de autoria de Albert Einstein, Thomas Mann, Sigmund Freud, Karl Marx, Heinrich Heine e muitos outros. Incinerar livros, desprezar a cultura em geral, configurou, na Alemanha da época, apenas um ensaio em direção à eliminação e queima de seres humanos dali a alguns anos. Cercear as artes, desprezar a importância da cultura, amarrar e emudecer artistas são atitudes sempre temerárias, em qualquer parte do mundo, em qualquer época.

Também é de autoria de Johst a peça “Schlageter”, encenada pela primeira vez por ocasião do 44º aniversário de Hitler, em 20 de abril de 1933, celebrando sua conquista do poder na Alemanha. Vem de uma das falas de um dos personagens a tristemente famosa frase “quando ouço falar em cultura, solto logo a trava de minha pistola”. Infelizmente, a ameaçadora e simbólica sentença segue sendo atual na boca, nas intenções e nas atitudes de muita gente, em várias partes do mundo. Johst foi capturado pelos Aliados no final da Segunda Guerra, condenado por suas atitudes nazistas e caiu em desgraça. Foi varrido para a lixeira da História. A porta dos fundos sempre está aberta para quem quiser cruzá-la É preciso ter cuidado.
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 4 de dezembro de 2017)

sábado, 2 de dezembro de 2017

O médico e o monstro

A Ciência, assim como qualquer outra arte ou habilidade humana, pode servir tanto ao Bem quanto ao Mal. Tudo depende do uso que se faz dela, por parte de quem a manuseia, manipula, coordena. Ela, em si, não tem lado definido, pois não passa de uma ferramenta desprovida de intenções, de objetivos, de metas. Quem as tem são os homens, que fazem dela bom ou mau uso. Em fazendo bom uso, entram para a História como heróis, recebendo aplausos e condecorações. Em optando pelo mau uso, ingressam na História na condição de vilões, merecedores de vaias e execrações. Vejamos, a seguir, dois exemplos, um de cada, a título de ilustração desta já tradicional reflexão de segunda.
Comecemos pelo bom exemplo, de cientista que utilizou seus conhecimentos, talento e esforços para auxiliar a humanidade a dar um passo além, rumo à evolução. Era engenheiro de profissão, nasceu em 1912 e morreu em 1977, mas deixou uma biografia extensa de contribuições importantes e transformadoras. Trabalhando nos Estados Unidos no final da década de 1940 e nas décadas de 1950 e 1960, forneceu uma contribuição fundamental ao desenvolvimento da tecnologia aeroespacial que resultou na conquista da Lua pelo homem. Só foi possível construir foguetes tripulados que levassem até a Lua e trouxessem de volta os astronautas com segurança devido ao empenho e à inventividade desse grande cientista e sua equipe de trabalho.
Por outro lado, um cientista também engenheiro de profissão utilizou, décadas antes, todo o seu talento inventivo para a construção de armas malignas que tinham a intenção de servir aos interesses de um dos maiores vilões da História Universal, Adolf Hitler. Esse cientista foi crucial para a criação e desenvolvimento das primeiras armas de destruição em massa e teleguiadas da História. Para criar as condições que permitissem o desenvolvimento de seus projetos, esse cientista coordenou campos de trabalho escravo secretos na Alemanha, utilizando mão-de-obra advinda de prisioneiros de guerra, em condições insalubres, desumanas e assassinas. Era comum a contagem diária de mortos devido à exaustão física, aos maus tratos, à fome e às doenças nas áreas de trabalho desse cientista do mal durante a Segunda Guerra Mundial. Ele nasceu em 1912 e morreu em 1977.

Esses dois personagens eram a mesma pessoa: Wernher Von Braun, que, finda a guerra, foi capturado e levado aos EUA para auxiliar na corrida espacial que colocou o homem na Lua em 1969. Mocinho ou bandido? Vilão ou herói? Tudo isso, nada disso, ou apenas um ser humano igual a você e eu?
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 27 de novembro de 2017)

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A animação dos inanimados

Nós, madama, seres animados e racionais que somos, parecemos passar grande parte de nossas existências dedicados à tarefa contínua e interminável de transportar de um lugar para outro todos aqueles seres inanimados que nos cercam, e que costumam ser maioria. Não, madama minha, não me refiro àquele seu sobrinho que se imobiliza no sofá a tarde inteira e não se mexe mesmo quando cutucado com a vassoura para que levante e pelo menos vá tirar o lixo uma vez na vida para ajudar um pouco, pelamordedeus! Não, na verdade, me refiro aos seres inanimados mesmo, às coisas sem vida, aos objetos que criamos para que nos sejam úteis, mas que só o são quando reposicionados nos lugares em que deveriam estar mas nunca lá estão, a não ser quando levados por nós.
As canetas podem servir de exemplo fácil para ilustrar a essência da teoria irrelevantista que pretendemos traçar hoje nesta desfilosófica crônica de segunda. Elas, as canetas, nunca estão onde deveriam estar para que nos sirvam com a devida utilidade para a qual foram concebidas. Precisamos sempre trazê-las para que nos ajudem a fazer a lista de compras de supermercado, ou traçar as contas de final de mês. Elas sabem que precisamos delas sazonalmente nesses momentos, mas jamais se apresentam voluntariamente ao alcance de nossas mãos para o serviço. Precisamos sempre buscá-las, nós, os seres animados, a elas, essas determinadas inanimanças.
Outro exemplo vigoroso para ilustrar a tese são as compras de mercado. Quanto serviço, quanta energia gasta entre as prateleiras nas quais os produtos repousam e seu derradeiro estar dentro de nossas casas. Primeiro, depositamos todos eles dentro do carrinho, que conduzimos por entre as gôndolas. Depois, içamos todos para fora a fim de passá-los, um a um, pelo leitor de código de barras operado pela moça do caixa. Feito isso, ensacamos a turma e os depositamos todos de novo dentro do carrinho, que agora conduzimos até nosso automóvel, estacionado no pátio do mercado. Abrimos o porta-malas, tiramos do carrinho e metemos tudo lá dentro, um a um. Ao chegarmos em casa, se moramos em prédio relativamente organizado, retiramos os produtos do porta-malas e acomodamos tudo dentro do carrinho do condomínio. Subimos a nosso apartamento, tiramos tudo do carrinho e finalmente levamos cada artigo para seu destino final em nosso lar.

Alguém aí contou quantos movimentos foram necessários para animar os inanimados? Que trabalho, hein, madama? Desanimador, eu diria! Opa, madama... Volte! Para onde a senhora pensa que está levando esta de segunda de hoje?
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 20 de novembro de 2017)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Pedras fora, rota livre

Quando estamos determinados a fazer alguma coisa, não há desculpa capaz de nos demover de nosso foco. Porém, virando a outra face da moeda, surge estampada ali a antítese direta do axioma, em mesmo peso: se não queremos fazer algo, qualquer coisa serve de desculpa para nossa inércia. Quando não queremos fazer algo que deveríamos fazer, usamos como subterfúgio a ação impeditiva supostamente advinda de todos os elementos externos a nós mesmos, que se colocam como pedras atravancando nosso caminho. Porém, quando estamos determinados a cumprir uma tarefa, não há galho no meio do trajeto que não seja transposto, cerca que não seja pulada, pedra que não seja rolada para o lado, vento que não seja encarado de frente, temporal que não seja exorcizado no grito. A moeda é sempre a mesma. O lado que decidimos oferecer à luz do sol depende de nossa vontade, e só dela.
Penso nessas coisas quando me ponho a refletir sobre a impressionante história de vida de um personagem folclórico que movimentou as paragens do distrito de Criúva por volta de muitos-anos-no-antigamente-afora, isto é, ao redor de 1844. Conhecido como “O Santo da Cruz”, há até uma ermida erguida em honra a ele ao lado da Igreja Matriz, onde está abrigada a cruz que dizem o monge ter deixado para a comunidade ao partir depois de uma temporada pelas redondezas operando milagres, fazendo curas, distribuindo benzeduras, bênçãos, conselhos, auxílio espiritual e semeando mistérios. Mas tinha nome e biografia o monge eremita. Chamava-se Giovanni Maria D`Agostini. Nasceu em 1801 na região italiana do Piemonte; ingressou jovem em um seminário em Roma mas saiu antes de sagrar-se padre. Desejava percorrer o mundo divulgando a fé, na forma como a entendia, e foi o que fez.

Os registros históricos que seguem suas pegadas dão conta de que, primeiro, percorreu França e Espanha, chegando a fazer o Caminho de Santiago de Compostela. Depois, migrou para as Américas e percorreu (acompanhe): Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Brasil (São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, onde deixou marcas em Criúva, Candelária e Santa Maria), Chile, Bolívia, Peru, México e Canadá. Cansou? Ele não. Tem mais. Percorreu boa parte dos Estados Unidos até se aquerenciar em uma cidade no Novo México, onde acabou misteriosamente assassinado em 1869. Pois é. Fez tudo isso a pé, de carroça, barco ou no lombo de animais. Não esperou a chegada dos automóveis e dos aviões para cumprir a tarefa. Sua inexistência não era desculpa. E a gente aqui, reclamando do elevador que enguiça...
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 13 de novembro de 2017)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A temer a porta dos fundos

Existem duas maneiras de entrar para a História: pela porta da frente e pela porta dos fundos. A turma dos defensores do politicamente correto, sempre de prontidão e em guarda, se me ler, virá exigir a apresentação de uma terceira via para minha tese, já de saída. E eu, estudioso que sou do Irrelevantismo, vejo-me apto a fornecê-la, de saída também. Ei-la, então, a pedidos, a terceira via: não entrar para a História de jeito nenhum, que é a opção praticada pela avassaladora maioria das gentes ao longo da mesma História, uma vez que, segundo pesquisas desenvolvidas por colegas estudiosos do Irrelevantismo, descubro que, desde o surgimento do primeiro ser humano sobre a Terra, até hoje, já viveram 108 bilhões de pessoas. Dessas, quantas entraram para a História? Ínfimas, por certo. E ao par dessa infimidade portentosa, sustento haver aquelas duas maneiras de ingressar nas páginas da imortalidade histórica, conforme exposto na primeira frase desta hoje reflexiva crônica de segunda.
Pela porta da frente e pela porta dos fundos, portanto. A título de ilustração, que sei que a madama aprecia as coisas bem ilustradinhas, evoco o exemplo do Guilherme Tell, o arqueiro aquele que entrou para a História flechando uma maçã disposta sobre a cabeça de seu próprio filho, em épocas remotas nas quais barbaridades dessa natureza eram permitidas. Guilherme entrou para a História pela porta da frente, mas temerariamente, uma vez que a flechada partiu ao meio a dita maçã, e não a cabeça oca de seu filho, que concordou em se prestar à brincadeira de gosto duvidoso. Mas e se Guilherme tivesse errado? Se não houvesse treinado o bastante? Quantas maçãs precisou rachar com flechadas antes de levar ao público o show, suficientemente seguro de seu desenlace? E quantas cabeças de sobrinhos, afilhados e garotos da vizinhança pode ter ferido antes de colocar a do próprio filho na alça da mira? Ah, Guilherme, Guilherme, que temeridade... Entrou pela porta da frente, admito, mas que a dos fundos escancarava suas portas para ele, isso escancarava, né, madama? Que temeridade!

Falando em temeridades e ingressos na História pela porta da frente ou pela dos fundos, parece-me haver aqui algum trocadilho pulsando desejoso de vir à tona nessas mal-traçadas de segunda, mas não se me clareia a mente agora. Talvez a madama possa me ajudar. Por enquanto, pensemos nisso: se for para entrar para a História pela porta dos fundos, melhor ficar à sombra de uma árvore tranquilamente degustando uma maçã, a senhora não acha? Aí não haverá nada a temer.
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul,em 6 de novembro de 2017)

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Cuidado, ele já entrou

Na verdade, só mudam o nome e a nacionalidade, mas a essência é sempre a mesma. Hoje em dia, a nacionalidade dele é norte-coreana e seu nome é Kim Jung-Un, presidente ditatorial vitalício da nação asiática. Até bem pouco tempo atrás, quem cumpria o papel era Osama Bin Laden, o saudita fundador e líder da organização terrorista al-Qaeda, a quem se atribui o planejamento e a execução de atentados como o das Torres Gêmeas nos Estados Unidos, em setembro de 2001. Laden deixou o posto ao ser assassinado em uma operação secreta comandada pela CIA. Mas houve muitos antes dele, revezando-se ao sabor das necessidades norte-americanas de manter sempre na mira a figura do “inimigo público internacional número 1”.
A lista pode ser facilmente preenchida quando nos dedicamos a relembrar um pouco o cenário da política internacional das últimas décadas. Antes do explodidor de bombas atômicas norte-coreano e do líder terrorista saudita, o papel foi desempenhado (mesmo que à revelia e a contragosto) por diversas figuras hoje históricas. Vamos a algumas delas, só para ilustrar e refrescar a memória: Saddam Hussein, do Iraque; aiatolá Khomeini, do Irã; Muamar Khadafi, da Líbia; Kim Jong-il, também da Coreia do Norte, pai do atual líder daquele país; Idi Amin Dada, de Uganda; e até mesmo os sul-americanos Hugo Chávez, da Venezuela, e Fidel Castro, de Cuba, integraram o time. Durante o período da Guerra Fria, em que os mundos capitalista e comunista rosnavam um contra o outro, não faltaram líderes de países comunistas a se verem instalados no desconfortável trono, como os do Vietnã do Norte que entraram em refrega direta contra os Estados Unidos e vários dirigentes soviéticos como Nikita Kruchev e Leonid Brejnev, apelidados pelos norte-americanos de comandantes do “Império do Mal”.

Direcionar os temores mundiais, as frustrações e os ódios latentes contra figuras internacionais que pressupostamente encarnam o mal é uma estratégia antiga e surrada, usada à larga pelas nações líderes, a fim de se manterem no topo da orquestra, dando o tom da sinfonia, que deve tocar as valsas no compasso que elas desejam. Os Estados Unidos são experts em criar supervilões internacionais que sejam constantemente combatidos, até porque, existe uma indústria armamentista que gera lucros astronômicos e precisa ser alimentada. A pergunta que não quer calar, porém, nesses dias hodiernos, é: e o que fazer quando o “inimigo público internacional” parece estar sentado no Salão Oval da Casa Branca, travestido de presidente? Xiii...
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 30 de outubro de 2017)