terça-feira, 28 de março de 2017

Zumbis ali, zumbis aqui...

Quando eu nasci, meio século atrás, na distante e pequena Ijuí, interior do Rio Grande do Sul, os tempos eram outros, inimagináveis para gerações já surgidas na era das redes sociais e do fantástico google. Não havia computadores, não havia internet, nem telefones celulares. “Rede social” era um fenômeno que acontecia sempre que pessoas em carne e osso se reuniam em família ou entre amigos em torno de um objetivo humano comum como conversar, jogar cartas, jantar, dançar, fazer um churrasco, conviver olho no olho, com as almas presentes junto aos corpos físicos e não distanciadas em mergulhos autocentrados pelas barafundas viciantes (algumas delas imbecilizantes) dos meandros proporcionados por aparelhinhos que nos dias de hoje disputam o lugar de gente de verdade, criando gerações de zumbis.
Não é à toa que os seriados televisivos e filmes que mais fazem sucesso na atualidade são aqueles protagonizados por mortos-vivos cambaleantes e babões, com os quais o público parece se identificar plenamente. Veem-se representados pelos zumbis nos quais estão se transformando do lado de cá das telas, sempre que optam conscientemente por trocar convivência humana real por navegação virtual. Fazer o quê? Afinal, não se pode medir as consequências das invenções tecnológicas que vão surgindo e revolucionando o mundo, tampouco responsabilizar os inventores pelo mau uso de suas criações. Quem inventou o fogo pensando em cozinhar as sobrecoxas de mamute não previu seu uso posterior por Nero no incêndio deliberado de Roma. Quem inventou o avião para encurtar distâncias não imaginava seu uso bélico na destruição de cidades por bombardeios aéreos. Quem criou o automóvel não tem culpa na mortandade do trânsito irresponsável. Quem inventou a internet, as redes sociais e os aparelhinhos portáteis que lhes dão acesso ilimitado e onipresente não pensava em gerar zumbis.

Porém, basta olhar em volta para sentir-se imediatamente imerso dentro do cenário de “The Walking Dead”, porque a instalação da Zumbilândia caminha a passos largos e firmes, embalada no cambalear trôpego dos que preferem abandonar sua própria humanidade em benefício da vida virtual. Tudo o que é em demasia preocupa. Perder a medida do uso é o que gera a doença. Até ar demais pode explodir o pulmão. Água cristalina em demasia pode afogar. Internet e rede social em excesso imbeciliza e gera zumbis, sim. Mas nunca é tarde para acordar, afinal, como mostram os seriados, até contra zumbis existem antídotos. Nesse caso específico, o antídoto é a opção pela vida real.
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 27 de março de 2017)

A hora certa do "sim"

Nunca é tarde para aprender lições de vida. Nossos avós nos ensinam com sua larga experiência palmilhando as nuances da existência, é verdade. Aprendemos com eles se estamos dispostos a ouvi-los. Depende de nós saber sorver dos mais velhos a vivência que vão acumulando no transcorrer de suas jornadas e que generosamente compartilham. Se fazemos ouvidos moucos ao que nos dizem, azar o nosso. Bateremos com a cara contra a parede por conta e risco. Saberemos que dedo na tomada dá choque enfiando o dedo na tomada e arcando com a consequência (no caso, a dor do choque e a humilhação de termos sido avisados e insistido na patuscada). No frigir dos ovos, tudo sempre depende de nós mesmos, de como nos posicionamos, das escolhas que fazemos.
Eu, dia desses, aprendi que é preciso pensar um pouco antes de dizer “sim”. Já estava na hora, afinal, faz anos que não cozinho mais na primeira fervura. E aprendi levando no lombo, para não citar outra região anatômica propícia a sentir as dores do aprendizado que se dá quando não se usa a sabedoria. Antes de um “sim”, há que se refletir, para que a anuência seja consciente e suas consequências devidamente sopesadas. Mas não foi assim no momento em que meu afilhado de quatro anos de idade (quase cinco) resolveu passar o sábado na casa dos dindos, mochila nas costas, escova de dentes, mamadeira, cachorro de pano a tiracolo.
Depois de várias aventuras inenarráveis, voltamos para casa após o almoço no shopping com um recém comprado livro de atividades em que havia figuras a serem destacadas e adesivadas nas páginas dos respectivos cenários: gatos, flores, abelhas, monstros amigáveis, corações, barcos lilases e assim por diante. Destacávamos as figuras e nos divertíamos tentando definir o melhor lugar no livro para grudá-las. Isso até o momento em que o afilhado decide fazer uma pergunta. “Posso colocar no seu quarto os adesivos, dindo”? Ora, sim, pode, ué. Imaginei que ele quisesse guardar no meu quarto o livro de adesivos. E disse “sim”.

Foi o que bastou para que a cabecinha voasse corredor adentro e sumisse em silêncio no quarto por alguns minutos. Silêncio de criança requer investigação, já diziam nossas avós. Então, fui ver. Fui ver e deparei com as paredes de meu quarto totalmente redecoradas (na altura de meu umbigo) com dezenas de adesivos de monstros amigáveis, abelhas, barcos lilases, sanduíches... “Colocar no meu quarto” não significava “guardar o livro no meu quarto”. Significava grudar os adesivos nas paredes. E eu disse “sim”. Pelo menos, ficou bonitinho...
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul, em 20 de março de 2017)

domingo, 19 de março de 2017

Mandam que ela não cante

Fiquei sabendo que mandaram a simpática moça do caixa do mercadinho parar de cantar. Achei uma violência isso que fizeram, essa ordem anti-felicidade, expedida pelos gerentes contra ela, a mocinha do caixa, que cantarolava baixinho enquanto passava as mercadorias dos clientes pelo leitor automático para ir fazendo a soma de seus ranchos. Confesso que o cantarolar da mocinha do caixa era um dos atrativos que me faziam escolher gastar ali, naquele estabelecimento, e não em outro, o meu dinheiro destinado às compras do que iria rechear a despensa de casa. Que presente para as almas das gentes, atormentadas pela correria desumanizante do dia a dia, poderem ser brindadas pelo cantar de alguém que trabalha feliz.
Mas agora isso nos foi tirado. Dela, foi cerceada a liberdade de expressar seu estado de espírito leve e de bem com a vida defronte à clientela. De mim (e talvez de outros clientes, pois torço para não estar sozinho no sentimento), foi surrupiado o prazer de deparar, de vez em quando, com alguém que recusa fechar em torno de si o zíper da dureza humana e ainda consegue adotar leveza, apesar de tudo, de tudo, de tudo. Ela não pode mais cantarolar, porque isso “poderia pegar mal”. Claro que a mocinha simpática do caixa (aliás, por si só, já é tão difícil encontrar simpatias por trás dos caixas, seja de mercados ou de estabelecimentos comerciais em geral, némesmo?), claro que ela não expressava sua leveza da alma somente cantarolando. Ela conversava com os clientes, sorria, olhava no olho, perguntava da vida, contava da dela. Nada disso mais pode. “Precisa ficar mais na sua”, sentenciaram. Para não perder o emprego, ela cumpre o ordenado. Ela não perde o emprego, mas o mercado perde a mim como cliente, por certo, porque não serei conivente com a injustiça feita a ela e também a mim, que gostava de ouvi-la cantar enquanto passava pela registradora as bananas, o extrato de tomate e o detergente em pó.

“Ela canta, pobre ceifeira, julgando-se feliz, talvez”, já dizia o poeta Fernando Pessoa em versos inspirados, quiçá, em alguma outra moçoila despretensiosamente faceira com a qual há de ter deparado em sua poética vida lusitana. A ceifeira que cantava em Lisboa não teve seu canto cerceado, mas, sim, eternizado pela verve poética do poeta. Já a pobre moça do caixa ali do mercadinho, sofre a censura dos que optam conscientemente pelos tons de cinza e não tem um poeta que cante seu canto. Tem gente a quem a felicidade incomoda. Depois, os passarinhos vão cantar no quintal do vizinho e as pessoas não entendem a razão.
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro" em 13 de março de 2017)

segunda-feira, 6 de março de 2017

Quem lidera os pombos?

Sou ligado em experiências científicas. Gosto de assistir a documentários científicos na televisão e de ler reportagens sobre as novidades da ciência. O dia em que eu ficar famoso e vier a ser convidado a responder a esses questionários que se aplicam a celebridades, já sei que resposta darei ao quesito “se não tivesse essa profissão, que profissão você escolheria?”. Eu responderei: seria cientista. Que não leiam isso meus antigos professores de química, biologia e física do primeiro e segundo graus (é, eu sou do tempo do primeiro e do segundo graus, galera), que eles morreriam de rir. Ou de medo. Até porque eles certamente recordariam daquela vez em que eu fiquei sozinho no laboratório de física da escola e... Bem... Deixa pra lá. Sou cronista (felizmente), sigamos lendo a crônica.
Por gostar de assuntos relativos à ciência é que fiquei dia desses assistindo na tevê a um documentário sobre uma experiência feita não sei onde com pombos. Descobriram os cientistas que os pombos que voam em bandos seguem as decisões aéreas de um líder. O líder normalmente é o pombo mais forte, que voa mais alto, mais rápido, mais decidido. É ele quem orienta o voo da pombaiada toda, guinando à esquerda, depois à direita, mais para cima, descida amalucada em parafuso, um rasante sobre os fios de luz e... Ooopaaaa... Subida repentina na vertical, como os pombos tanto gostam. Isso sim, que é pombo-líder! Só tem uma coisa, que os cientistas descobriram. O pombo-líder não pode errar. Se errar, babau. É destituído imediatamente do cargo e outro assume o seu lugar.
Os cientistas concluíram isso inserindo nas costas do pombo-líder um aparelho que recebia os raios solares e enviava a ele coordenadas equivocadas, fazendo-o errar o plano de voo. Filmavam o voo do bando e depois analisavam o que acontecia. Era batata: os pombos percebiam que o líder estava desorientado, levando-os a rumos incertos, e logo outro pombo assumia o comando, o ex-pombo-líder sendo deixado para a rabeira do grupo. O que os cientistas ainda não sabem dizer é se são os pombos que destituem o líder equivocado e colocam outro em seu lugar ou se é o próprio líder que, ao perceber sua incompetência, cede o posto a outro e se retira, abrindo espaço para quem demonstra ter mais capacidade de liderança em benefício do bem comum da comunidade columbina.

O fato é que, entre os pombos, líder incompetente, que não sabe para onde está conduzindo o grupo, não dura muito. Não tem lugar. Não mantém a posição. Perde credibilidade. Precisa se retirar. Pombos são bichinhos bem inteligentes.
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro" em 6 de março de 2017)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O cheiro da água

Meu afilhado, de quatro anos de idade (quase cinco), tem cheiro de água. Não sou eu quem está dizendo. Quem afirma é ele, convicto. E, frente a uma convicção, sempre é difícil rebater. Quando ele disse isso, precisei frear meu ímpeto de imediatamente cheirá-lo, até porque, estava dirigindo e não cabia, naquele momento, estacionar para efetivar a conferência olfativa. “Será que ele cheira a água”? Fiquei refletindo sobre o fenômeno enquanto enfrentava o trânsito e ele tergiversava ali atrás, no cadeirote. Felizmente, logo tratou de municiar-me com mais informações capazes de amenizar meu estranhamento e conduzir a bom termo meu entendimento sobre as coisas.
“Sim, dindo, eu tenho cheiro de água. Sempre que minha mãe passa protetor solar em mim, eu fico com cheiro de água. É por isso que os gatos não chegam perto de mim. Gatos não gostam de água, e eu tenho cheiro de água”. Aahh! Tudo sempre tem uma explicação, afinal de contas. Mas... E os cachorros? Fiquei preocupado com a questão dos cachorros, afinal, ver-se discriminado pelos gatos em função do cheiro, mesmo que seja de água, me pareceu bem grave, sendo crucial um paliativo zoológico urgente. “Os cachorros, só um pouquinho”. Uhm... Certo... Mas... “Só um pouquinho” o quê? (Convenhamos, sou um dindo muito lentinho, reconheço). “Os cachorros não gostam só um pouquinho, dindo”! Ah, tá! Ok! Entendido, captei.
Ter cheiro de água não deve ser uma condição muito corriqueira, especialmente aos quatro anos de idade, quase cinco. Ainda mais se, em função disso, gatos passem a não gostar de você e cachorros, só um pouquinho. Mas deve haver uma saída, um consolo. Ah! E os peixes? Peixes gostam de água! Os peixes, então, devem gostar de você e de seu cheiro de água! Silêncio no banco de trás. Ahá! Ele não havia pensado nisso! “Você gosta de peixes?”, pergunto. “Sim, gosto”. Resposta não muito entusiasmada. “De quais peixes”? Insisto. “Mariscos”, informa, distraído.
“Mariscos”? Opa, estamos entrando em terreno estranho. Evoquei o “gostar”, na questão dos peixes, pensando em afetividades, tipo as caninas e felinas, que estabelecemos com bichos de estimação. Mas a resposta me pareceu gastronômica. E nem imaginava que ele conhecesse a palavra “marisco” no alto de seus quatro anos de idade (tá, quase cinco). Será que já comeu mariscos? Eu já comi mariscos? Por que respondeu “mariscos”?

Assim não dá. Estaciono, espicho o corpo e grudo meu nariz no pescoço dele. Tem cheiro de afilhado de quase cinco anos de idade. Não sabia que água cheirava tão bem. Ligo a ignição. Em frente!
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro" em 27 de fevereiro de 2017)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

O desandar da maionese

“Cada um com a sua fissura”, como já dizia o Keith Richards. Eu, hoje, vou falar sobre a minha, com a licença da madama leitora e do cavalheiro leitor, que devem ter também as suas, mas quem sou eu para pedir que revelem, até porque isso aqui não é divã de psicanalista, mas tão-somente uma croniqueta de segunda (de segunda-feira, que fique claro e se evitem os mal-entendidos, que de mau entendedor já bastamos eu certos senadores que assinam coisas sem ler pela aí, né, madama minha?). Pois, como eu ia dizendo (e não ia, porque o texto não engrenou de primeira devido aos parêntesis e às intercalações que tanto caracterizam este prolixo escriba que certos alguéns gostariam de des-caracterizar pro-lixo, mas, avante!). Como eu ia dizendo, direi a partir do segundo parágrafo, se ainda houver audiência.
Então, as fissuras. A minha, é por maionese. Sou fissurado por maionese. Maionese que, no meu entender de descendente de alemães oriundo de Ijuí, deve ser traduzida por salada de batata. Minha fissura de verdade, então, é por aquilo que chamo (e como) como salada de batata e que por essas plagas serranas define-se (e come-se) como maionese. Para mim, maionese é apenas um dos ingredientes utilizados para compor as irresistíveis saldas de batata, nas quais se utiliza batatas, maionese e penduricalhos que lhe vão acrescentando sabor e fazendo a diferença, tipo pepinos, azeitonas, rodelas de ovo cozido, salsa picada, crem (como, madama? Crem não? Ah, então crem não se usa em tudo? Cronicando e aprendendo. Crem não, então). Mas, classifiquem como maionese ou salda de batata, não importa. Minha fissura emerge das entranhas de minha gula e eu ataco sem dó nem piedade.

Sou um potencial candidato a vitimar-me por salmonela, porque basta disponibilizarem, em qualquer boteco, um pratinho de maionese ali no canto da mesa que meu radar detecta e eu crau! Quero nem saber, foi! Sei lá, devem ter metido maionese na minha mamadeira quando eu era pequeno, para ter se entranhado em mim essa fissura tão essencial pelo prato. Questionei minha mãe, dia desses, a respeito, e ela ficou me olhando de lado, em silêncio. Esse olhar dela sem responder pode significar coisas. Um: que ela fez mesmo isso, mas não ousa revelar. Dois: que só eu mesmo para imaginar uma sandice dessas. Três: que apesar de ser uma sandice, ela de fato o fez, mas não vai revelar. Claro que já estou viajando na maionese. Mesmo sem ser senador, basta colocarem um prato de maionese na minha frente que eu assino qualquer coisa. Não votem em mim, que a maionese desanda!
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul,em 20 de fevereiro de 2017)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O despertar do vindimeiro

Uma coisa é obter conhecimento sobre as nuances do mundo pela leitura de livros. Outra coisa é vivenciar uma experiência que proporcione o conhecimento antes apenas vislumbrado nas palavras impressas. O exposto confirma a antiga sabedoria helvética de que “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”. Também ilustra a relação dialética conhecida como “práxis”, pela qual a teoria orienta a prática que, quando posta em prática, aprimora e calibra a teoria, e assim por diante. Considerações que evocam à lembrança o símbolo do Tai Chi, aquele círculo dividido ao meio por uma linha serpenteada, um lado preto, outro branco, contendo em seus extremos bolinhas pretas e brancas, a branca no preto, a preta no branco, simbolizando o fato de todo o processo final conter em si a semente do novo processo que se inicia, permitindo-nos concluir que uma coisa pode não ser outra coisa, mas sempre remeterá a um vislumbre da coisa outra que ela ainda não é, mas que poderá virá a ser. Entende?
Pois é, filosofar por conta e risco, sem ajuda especializada, dá nisso: a mente vira um pião tresloucado batendo contra as paredes de um labirinto em Creta enquanto se busca a saída antes que o Minotauro nos agarre e solucione o jantar (o jantar dele, por suposto). Compartilho esses devaneios com a estimada leitora e o paciencioso leitor após ter vivenciado, em Uvanova, dia desses, a experiência da vindima. Para mim, nascido em urbanidades distantes nas quais acreditava-se que leite dava em saquinhos em prateleiras de supermercado e salame nascia em árvores, tive a oportunidade de meter a mão na massa (sentido figurado) e auxiliar no processo de transformação de uva em vinho.
Até então conhecedor apenas da etapa final do ciclo vinífero (a arrancada da rolha e o verter do líquido perolado nos cálices), esfolei os dedos embaixo do parreiral cortando os cabinhos dos cachos que lotaram cestos de vime depois transportados para o porão da casa dos sogros. Lá, alcei ao topo de um escorregador de madeira as 37 cestas repletas de uvas que iam sendo mastigadas por um moedor pilotado pelo cunhado. O sumo disso era erguido em latão pelo irmão do sogro ao alto de um mastel onde se posicionava o próprio sogro, manuseando um coador, a fazer com que para dentro do mastel jorrasse somente o líquido das uvas que, em breve, magicamente virará vinho em nossas mesas.

Vinho que, dessa vez, ajudei a fazer, na prática. Entusiasmado, já anunciei que, ano que vem, quero ajudar a plantar e a colher a bela polenta. Por alguma razão, me sugeriram voltar aos livros...
(Crônica publicada no jornal "Pioneiro", de Caxias do Sul,em 13 de fevereiro de 2017)