sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Não conte com a sorte


Sonhou com os cinco números, e na sequência em que seriam sorteados pela Caixa Econômica Federal. Foi um sonho claro e vívido, como há muito tempo não lhe acontecia. Viu os globos imensos girarem e as moças bonitas de pernas de fora sacando uma a uma as cinco bolinhas contendo os números sorteados da Plurasena da Virada.

Foi assim, um atrás do outro... pim... pim... pim... pim... pim! Pronto! O bom da coisa é que acordou imediatamente após o sorteio onírico do último número. Assim, conseguiu saltar da cama no meio da madrugada e correr tateando até o quarto ao lado, sem acender luz alguma, atrás de caneta e papel para anotar as cinco dezenas que lhe transformariam a vida. Rabiscou os números na folha de um bloco de rascunho, aproveitando a fraca iluminação que entrava pelas frestas da persiana, e só então começou a se acalmar.

Acendeu a luz e mirou fixamente os números, que a essa altura já sabia de cor. Pim... pim... pim... pim... pim... Barbaridade! Dessa vez não havia errada! Claro que eram as dezenas que seriam sorteadas no dia seguinte, na edição extra de final de ano da Plurasena! Não era um apostador regular, jogava quando lhe dava na telha, e tampouco era ligado em superstições. Mas um sonho desses, desse jeito, ah não, isso não podia ser ignorado. Era um sinal, e não deixaria de escutá-lo.
Viajaria no dia seguinte à sua cidadezinha natal, para passar a virada do ano com os familiares que lá ainda moravam, e, como chegaria ainda antes do meio-dia e as apostas podiam ser feitas até as duas da tarde, decidiu que jogaria seu certeiro palpite lá mesmo, em Uvanova, onde certamente as filas nas agências lotéricas seriam bem menores do que em Tapariu, onde vivia. No dia seguinte, chegou em Uvanova, abraçou a parentada, almoçou a galinhada feita pela avó e correu para a única agência lotérica da cidade às 13h30. Porém, o dono da lotérica, frente ao parco movimento naquele último dia no ano, decidira fechar as portas ao meio-dia e já se fora para Nova Tomatina.

A magia do sonho se transformou em pesadelo devido às decisões erradas que tomara no mundo desperto. Nem é preciso dizer que se recusou a acompanhar o sorteio dos números... pim... pim... pim... pim... pim...
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 15 de fevereiro de 2013) 

Um comentário:

Le Vin au Blog disse...

Ainda bem que esse tipo de sonho eu nunca tenho. :)

O Claudio tem um bilhete guardado, de um jogo da mega-sena em que os resultados ou eram um número para cima ou um número para baixo do que aquele em que ele havia jogado. :)

Beijos