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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Na mira de Angelina

Não é de hoje que a homarada do planeta se coça de inveja do Brad Pitt, pelo fato de ele ter conquistado a Angelina Jolie, ela, que é considerada por muitos a mulher mais bela do mesmo planeta. Parece que o reverso da medalha é semelhante em essência, mostrando que a mulherada do planeta em questão também sentiria da Angelina Jolie uma inveja danada, daquelas que nem beijinho no ombro protege, pelo fato de ela ter conquistado o Bradão (para os íntimos), aquele “pedaço de homem”, e intensifico aqui a importância das aspas para que ninguém pense que fraquejo no meu posto bem posicionado entre a homarada apreciadora de Angelina, a Angie, para nós, os íntimos.
E, daí, é aquela coisa que o amigo leitor e a estimada leitora bem sabem: o casal dos sonhos se casa um com o outro, a mulher mais linda com o homem mais belo, riquíssimos, famosíssimos, poderosíssimos, lindos e cheirosos... Mas, epa... Parece que anda havendo ruído nessa sinfonia, uma desandada na maionese, um pinhão carunchado no meio da bocha, uma desafinada no solo de guitarra... A Angelina, ou melhor, a Angie, andou dizendo para a imprensa internacional (e a imprensa internacional, que não é confidente da Angelina, mas, sim, de todo o planeta, tratou de espalhar para todo o mundo) que ela está “por aqui” com a aparência do Bradão, e que não aguenta mais o visual desleixado que o maridaço tem cultivado na intimidade de seu lar, que respinga sustos por onde quer que ele desfile sua propalada (e agora questionada) beleza.
Ela vem reclamando das condições horrorosas da pele dele, porque ele não se cuida, né, amiga. Além disso, o ator deixou crescer uma enorme barba (“horrível”, segundo ela) para camuflar a pele também horrorosa. Ou seja, aos olhos da Angie, Brad está um caco, e a bela deu um ultimato: ele precisa urgentemente fazer alguma coisa para que ela volte a achá-lo atraente, senão... Brad já anda até considerando fazer uma cirurgia plástica, sob o risco de perder os olhares ronronantes de Angelina.
Viu só, Brad? Até pode ter sido fácil, para você, conquistar uma Angelina Jolie. Mas nem você está livre da necessidade imperiosa, imposta a todos nós, homens, de nos esforçarmos diariamente para mantermos nossas mulheres interessadas e renovarmos a conquista. Bem vindo ao clube dos mortais, Bradão. E dá licença, que preciso ir cortar o cabelo...
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 21 de agosto de 2015)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A cor que dá na telha



A cor era telha! Minha esposa chegou em casa, vinda do salão de beleza, e anunciou, estendendo o par de mãos para a frente, os dez dedinhos em ordem unida: “ó, cor telha”. Telha! Então tá, a cor da semana era, então, telha. Semana passada foi “sedução”, a cor. E, na anterior, pelo que me lembre, as unhas haviam chegado em casa embaladas pela insinuante cor “deixa beijar”. Mas já houve “Gabriela”, “mistérios do destino”, “picolé”, “flor do deserto”, “verde ninja”, “mostarda atômica”, “pura luxúria”, “Helena de Tróia”, “musa”, “toque de ira” e muitas outras.
É fascinante esse universo criativo e inesgotável em que se transformou o batizado de cores de esmalte para as unhas femininas. É divertido para elas isso de colorir as unhas cada vez não só com uma cor diferente, mas também alternando nomes que evocam estados de espírito, desejos, intenções, promessas. Trata-se de uma nova forma de comunicação subliminar distribuindo mensagens e definindo posturas de uma maneira delicada, sutil, elegante, charmosa. Preste mais atenção quando uma mulher lhe aponta o dedo.
Que estimulante esse mundo feminino pautado pelo uso desenfreado das cores. Cores nas unhas, cores nos lábios, cores nas pálpebras, nos cabelos, nas sobrancelhas, nos cílios, nas orelhas por meio dos brincos, no pescoço com os colares, nas mãos, pulsos e braços utilizando-se de anéis, pulseiras e acessórios variados, no corpo inteiro com o inesgotável leque de possibilidades oferecido pelas combinações do vestuário. Até em dias de chuva as mulheres têm a opção de escapar da sisudez de um tempo enferruscado abrindo suas sombrinhas amarelas, roxas, alaranjadas, tigradas... Nós, opacos homens, enfrentamos os pingos com nossos casmurros guarda-chuvas pretos, pretos desbotados, pretos escuros, pretos e pretos.
Não estou aqui confessando nenhuma intenção reprimida de passar a pintar minhas unhas. Sou cronista igual ao Fabrício Carpinejar, sou homem igual ao Fabrício Carpinejar, tenho unhas igual ao Fabrício Carpinejar, mas não as pintarei igual ao Fabrício Carpinejar. E não é por nada não, mas é que já se trata de marca registrada dele... Eu que vá inventar a minha. Quanto custa uma sombrinha amarela?
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 1 de junho de 2012)