quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

No café da manhã

Eu não sei quem foi que inventou isso de inserir omelete e salsicha picadinha ao molho vermelho no buffet do café da manhã nos hotéis. Seja lá quem for o autor da ideia, merece um prêmio. Ou uma estátua. Ou, melhor ainda: merece um prato com uma pirâmide de omelete e salsicha picadinha ao molho.
Porque isso sou eu quando estou hospedado em algum hotel, no salão do café da manhã: lá venho eu equilibrando no pratinho, para a abertura dos trabalhos, uma pirâmide amarela de omelete coberta com uma espessa calda de molho vermelho, as rodelinhas de salsicha escorregando do pico da fortaia abaixo para irem se acumular ao redor da base, de onde serão pinçadas uma a uma com a ponta do garfinho até distribuirem seu sabor pelas reentrâncias de minha boca. Ahhh, que prazer iniciar o dia em terra alheia empanturrando o estômago com blocos de omelete ao molho vermelho das cintilantes rodelas de salsicha!
Mas não paro por aí. Desfilo garboso pelo salão, da mesa ao buffet, arrastando os chinelos e transportando copos de suco de laranja e depois de uva, taças de café preto e depois de café com leite, tigelas com iogurte e granola (nhamm, iogurte e granola no café da manhã no hotel!!), sem esquecer do pratinho de apoio para estacionar as fatias de mamão (bom para a digestão), de melão e de sei lá que outra fruta que se come nos cafés da manhã nos hotéis, mas que venha! Traz que a gente come, como sabiamente diz meu sogro.
Ah sim, e como esquecer-se deles, os croissants? Não é mais preciso atravessar as fronteiras até Uruguai e Argentina para deliciar-se com minicroissants crocantinhos. Basta hospedar-se em um hotel cujo cardápio do café da manhã seja minimamente maneiro para saciar o desejo por esse acepipe tão elegante, especialmente pela manhã. Tenho uma habilidade incrível em montar pilhas sólidas de croissants intercalados com pães de queijo quentinhos e equilibrar a estrutura até a mesa onde minha esposa me aguarda de boca aberta (não de fome, mas de espanto).

Toda essa festa sempre tem data para acabar, e se encerra com o fechamento da conta das diárias. Penso nisso aqui em casa esta manhã enquanto sonho com férias. Pego o cacetinho, corto ao meio, passo a margarina (putz, acabou a goiabada de novo), rosqueio a tampa do Nescafé, sorvo um gole do café preto e me ponho a sonhar com as pirâmides de fortaia e salsicha picadinha que me esperam no litoral...
(Crônica publicada no jornal Pioneiro em 11 de dezembro de 2013)

Um comentário:

Le Vin au Blog disse...

A vida é feita de pequenos prazeres. :)

Em janeiro, iremos ao RS, mas apenas passaremos por Caxias. Primeiro, o destino será Vacaria e depois Bento Gonçalves e Porto Alegre.

Bjs e bom café da manhã,
Rafaela